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Home - Economia - Brexit pode mudar o sabor do whisky (e já há quem acumule polpa de tomate portuguesa)

EconomiaMundo

Brexit pode mudar o sabor do whisky (e já há quem acumule polpa de tomate portuguesa)

Last updated: 7 Agosto, 2019 13:30
Redação
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(CC0/PD) kaicho20 / Pixabay

Os produtores de whisky do Reino Unido estão preocupados com um cenário de saída da União Europeia sem acordo, temendo que isso afecte duramente as exportações. A preocupação estende-se a outras áreas do sector alimentar e já há empresas a fazerem stock de polpa de tomate portuguesa.

Com o Brexit em suspenso e os receios de uma saída sem acordo, muitas empresas britânicas estão preocupadas com o futuro. De tal forma que há algumas que estão a fazer stocks de produtos importados da União Europeia (UE), com receios de que venham a faltar.

É o caso da cadeia Domino’s Pizza que está a abastecer-se com doses suplementares de polpa de tomate que é importada de Portugal, de frango congelado e de ananás, como avança o The Guardian.

Em declarações ao jornal inglês, uma fonte da cadeia de entrega de pizzas ao domicílio assume a insegurança relativamente ao futuro, frisando que o Brexit pode “aumentar os custos alimentares” e, deste modo, fazer subir os preços finais para o consumidor.

Produtores de whisky muito preocupados

O whisky é um dos produtos mais exportados do Reino Unido, beneficiando da protecção das Leis da UE para a sua comercialização no mercado único.

De acordo com as normas comunitárias, o whisky produzido ou vendido na UE tem que ser maturado durante, pelo menos, três anos.

Este requisito de qualidade pode, contudo, cair por terra, caso o Brexit se confirme sem acordo. Neste cenário, o Reino Unido será obrigado a assinar um novo acordo comercial com os EUA que está interessado em abrir a porta à comercialização a tipos de whisky mais jovens.

Na Califórnia, já se produz um “whisky espiritual” que é feito em apenas 24 horas. O sabor é bastante diferente do que se pode provar num whisky de três anos, mas isso pode não ser relevante no momento em que os consumidores efectuam a compra. Tanto mais porque um whisky mais jovem é mais barato.

Sem a protecção das normas europeias, a própria designação geográfica protegida que é atribuída ao whisky escocês pode ficar ameaçada.

Por outro lado, o Brexit pode agravar os custos dos produtores com os componentes necessários para a venda da bebida, desde garrafas de vinho a rolhas, passando também pela cevada, devido a aumentos nas taxas das importações do Reino Unido.

Sem acesso aos acordos de livre comércio com os restantes membros da UE, quem produz whisky pode esperar ainda custos acrescidos com novas rotulagens para as garrafas, bem como mais despesas com as burocracias alfandegárias.

Recados da Escócia a Boris Johnson

Este cenário já levou o Governo da Escócia a manifestar “profunda preocupação” com a forma como o Reino Unido está a negociar o Brexit com a UE.

“Esta postura está a causar real incerteza para os produtores e eu imploro-vos que façam mais para tentar garantir esse reconhecimento mútuo [de indicação geográfica] nas negociações que estão a decorrer”, refere o responsável do Governo escocês pela pasta da Economia Rural, Fergus Ewing, citado pelo Harpers.co.uk.

A Associação de Whiskey da Escócia (SWA na sigla original em Inglês) apela também aos políticos para que alcancem um acordo com “compromissos de todos os lados”, no sentido de que haja “mudanças mínimas nos custos e processos de exportação para a Europa”, para manter a “influência do Reino Unido na política de comércio”.

“No mínimo, queremos ver um acordo sobre taxas zero, divergências mínimas na regulação e reconhecimento mútuo de indicações geográficas”, apontou a directora executiva da SWA, Karen Betts, num evento em 2018, sustentando que espera que o Governo de Boris Johnson assegure que, depois do Brexit, a venda de whisky para a Europa continuará facilitada.

“Um terço das exportações do whisky escocês são para a Europa”, lembrava Karen Betts para reforçar a sua posição.

O Governo britânico já garantiu que vai recorrer a uma designação própria de zona geográfica protegida, caso não alcance um acordo com a UE.

“O nosso incrível sector alimentar estará pronto e à espera de continuar a vender ainda mais, não apenas aqui, mas em todo o mundo, logo que deixemos a UE a 31 de Outubro”, referiu um porta-voz do Governo britânico em declarações divulgadas pelo Harpers.co.uk.

Mas com o debate ideológico em torno do Brexit a arrastar-se, os produtores, de pés no chão, vivem o dia-a-dia desesperados, sem saberem como podem preparar-se para o desconhecido “mundo novo” que aí vem.

SV, ZAP //

Fonte: ZAP

TAGGED:BrexitComércioEconomiaIndústria AlimentarMundoReino Unido
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