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Home - Ambiente - Manto de gelo da Antártida ainda liberta cloro radioativo de testes nucleares dos anos 50

AmbienteCiênciaMundo

Manto de gelo da Antártida ainda liberta cloro radioativo de testes nucleares dos anos 50

Redação
Last updated: 19 Outubro, 2019 14:35
Redação
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Um novo estudo confirmou que o manto de gelo da Antártica ainda está a libertar cloro radioativo, proveniente de testes feitos com armas nucleares na década de 1950.

Quando as bombas nucleares são detonadas — tal como aconteceu nas décadas de 50 e 60, com os testes dos Estados Unidos no Oceano Pacífico —, o cloro-36 é um dos isótopos radioativos libertados no ar, quando os neutrões reagem com o cloro na água do mar.

Desde então, outros isótopos voltaram aos níveis pré-teste, mas, aparentemente, isso não aconteceu com o cloro-36, como mostra um novo estudo agora citado pelo Science Alert.

Este isótopo também ocorre naturalmente e é usado pelos cientistas para datar os núcleos de gelo, juntamente com o berílio-10. No entanto, no seu estado padrão, o cloro-36 fica permanentemente preso pela neve na Antártida, portanto, não devemos encontrar nenhuma leitura dele na atmosfera.

“Já não há cloro-36 nuclear na atmosfera global. É por isso que devemos observar os níveis naturais de cloro-36 em todos os lugares”, explica a cientista Mélanie Baroni, do Centro Europeu de Pesquisa e Ensino das Geociências do Meio Ambiente de França (Cerege).

Ao analisar duas áreas específicas da Antártida — uma com relativamente pouca queda de neve anual e outra com muita —, os cientistas descobriram que altos níveis de cloro-36 ainda estão presentes perto da superfície do gelo à volta do local com pouca queda de neve, a estação de pesquisa russa Vostok.

Em 2008, havia dez vezes os níveis naturais de cloro-36 no gelo à volta da base. A radioatividade resultante é muito pequena para ter um sério impacto na atmosfera da Terra, mas parece que, afinal, este isótopo é mais resistente do que se pensava. Para surpresa dos cientistas, também está a mostrar ser mais ágil, subindo das profundezas da neve desde 1998.

As conclusões deste estudo, publicado em setembro na revista Journal of Geophysical Research – Atmospheres, podem dar-nos uma nova visão sobre como o clima da Terra evoluiu ao longo de milhões de anos.

Além disso, esta investigação também serve como lembrete para o impacto duradouro que as armas nucleares têm no ambiente, décadas depois de terem sido detonadas.

TAGGED:AmbienteAntártidaCiência & SaúdeDestaqueMundo
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