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Home - Ciência - Novo coronavírus não é uma arma biológica criada em laboratório, provam cientistas

CiênciaCoronavírusMundoSaúde Pública

Novo coronavírus não é uma arma biológica criada em laboratório, provam cientistas

Last updated: 19 Março, 2020 13:15
Redação
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Luca Zennaro / EPA

Enquanto os Estados Unidos (EUA) e a China trocam acusações sobre o início da pandemia Covid-19, um grupo de cientistas conseguiu comprovar que o vírus é um produto da evolução natural, refutando assim as teorias da conspiração.

Algumas dessas teorias, como notou o Observador, referem que o SARS-CoV-2, na origem da pandemia, foi libertado por acidente, enquanto outras indicam que foi propositado para controlar o crescimento da população mundial. Um novo estudo, publicado na quarta-feira na Natural Medicine, mostra que essas teorias não estão corretas.

Os coronavírus, explicou o RT, são um extenso grupo de agentes patogénicos responsáveis ​​por vários tipos de doenças, algumas delas graves, como no caso dos surtos da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que iniciou na China, em 2003, e da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), cujo início deu-se na Arábia Saudita, em 2012.

Em dezembro, as autoridades chinesas informaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) da presença de um novo coronavírus e, pouco depois, a sua sequência genética foi decifrada por cientistas daquele país.

Recorrendo a esses dados, uma equipa do Instituto de Investigação Scripps, nos EUA,  analisou os padrões das proteínas com forma de espigão que existem na superfície do vírus – que lhe conferem o aspeto coroado e lhe dão nome -, comprovando que o vírus teve origem natural e que foi transmitido de um animal para a humanidade.

Essas proteínas têm uma estrutura parecida a um gancho que se fixa à célula humana e a ataca com moléculas que a obrigam a abrir-se, permitindo a entrada do material genético do vírus. Esse gancho já existia no vírus, mas as comparações genéticas entre o novo coronavírus e os outros vírus da família comprovam que evoluiu para atingir uma proteína que existe na superfície das células humanas, numa estratégia de adaptação natural.

Alissa Eckert / CDC

SARS-CoV-2, o coronavírus que causa a Covid-19

“A proteína em espigão do SARS-CoV-2 é tão eficaz na ligação às células humanas que os cientistas concluíram que era o resultado de seleção natural, não o produto da engenharia genética”, referiram os autores do estudo.

Os cientistas sugerem que “se alguém estivesse a tentar projetar um novo coronavírus para ser um agente patogénico, tê-lo-ia construído a partir do modelo de um vírus que já se sabia que causa doenças a humanos”.

A equipa concluiu igualmente que a estrutura do SARS-CoV-2 era diferente da verificada noutros coronavírus, mas parecida com a estrutura de vírus presentes tanto em morcegos como em pangolins.

“Ao comparar as informações disponíveis na sequência genética conhecidas de coronavírus, podemos determinar firmemente que o SARS-CoV-2 originou-se a partir de processos naturais”, disse Kristian Andersen, professor de Imunologia e Microbiologia do instituto e um dos autores do estudo.

Por fim, apontaram dois cenários possíveis para a origem do vírus: no primeiro, o agente patogénico evoluiu para o estado atual, transmitido entre hospedeiros animais antes de infectar o paciente zero; o segundo assume que o SARS-CoV-2 evoluiu diretamente no organismo humano antes do início do surto.

Os cientistas reconheceram que, atualmente, é praticamente impossível determinar qual das duas variantes é mais provável. Mas alertaram que, no caso de o SARS-CoV-2 passar de animais para a população humana na sua versão atual, espera-se que outros surtos ocorram no futuro.

TAGGED:ChinaCiência & SaúdeCoronavirusDestaqueInvestigaçãoMundosaúdeSaúde Pública
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