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Home - Ambiente - Veneza. A lagoa que já foi rica em espécies está agora a recuperar o seu ecossistema

AmbienteCiênciaMundo

Veneza. A lagoa que já foi rica em espécies está agora a recuperar o seu ecossistema

Last updated: 18 de Agosto, 2020
Redação
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5 Min Read
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Riccardo Palazzani / Flickr

Lagoa de Veneza ao entardecer

A cidade de Veneza até pode ser famosa pela Praça de São Marcos ou pela Ponte dos Suspiros, mas a cidade italiana tem outra joia que é frequentemente esquecida: a sua lagoa. Agora o local, alvo de um projeto de restauração, vai recuperar o seu ecossistema em tempos esquecido.

A magnífica lagoa de Veneza já foi lar de uma rica e vasta variedade de peixes e pássaros. Porém a intromissão da mão humana fez com que houvesse um aumento drástico do teor de sal da água. Agora, um projeto ambiental quer ajudar a recuperar a tão desejada presença de biodiversidade na lagoa introduzindo mais água doce.

Rossella Brusa, investigadora do Instituto Superior de Proteção e pesquisa Ambiental,  explica à AFP que “a ideia é recriar um ambiente que se perdeu com ao longo do tempo, porque os rios foram desviados para fora da lagoa”. A necessidade de estes desvios serem feitos, surgiu numa altura em que foi preciso limpar as áreas pantanosas, e combater a malária.

Porém esta alteração nas águas da lagoa teve uma consequência imprevista que se tornou muito preocupante. O desvio dos rios para fora da lagoa “levou ao aumento de águas mais salgadas, e à queda no número de juncos, um habitat muito precioso para espécies protegidas”, afirma Brusa, a líder do projeto de restauração.

O especialista em biodiversidade, Adriano Sfriso, da Universidade Ca Foscari, refere que mais de metade da lagoa era constituída por canaviais e sapais (habitats naturais), e que essa área ocupava cerca de 17 mil hectares. Atualmente restam apenas 34 hectares.

De acordo com o Raw Story, a região de Cannaregio, em Veneza, chegou a receber o nome da planta “canna”– palavra italiana para dizer “junco”. Estas plantas toleram a presença de alguma salinidade no seu habitat, mas na parte interna da lagoa, onde a água deveria estar entre 0 e 15 na escala de salinidade, está momento nos 30. Valor muito semelhante ao que é encontrado na água do mar.

“Life Lagoon Refresh”, o projeto, que foi lançado em 2017, desvia um fluxo de água doce do rio Sile para a lagoa. Um canal artificial, em operação desde maio, permite que o fluxo de água seja moldado de acordo com as necessidades. No total, o projeto pretende restaurar pelo menos 20 hectares de junco, disse Sfriso.

Carlo Marchesi e Adriano Croitoru vão agora replantar a lagoa. “Vamos reconstruir a lagoa como os nossos bisavós a conheciam, muito mais rica em peixes e pássaros”, refere Marchesi, que está radiante com o projeto.

Ainda assim, também alguns pescadores locais, e caçadores de pássaros serão convocados para ajudar no transplante de ervas marinhas que irão acelerar o retorno das plantas aquáticas. Massimo Parravicini, diretor da principal associação de pescadores, e caçadores amadores, garante que “a lagoa é a nossa vida, é o nosso mundo”.

Parravicini defende a importânica da restauração da lagoa de Veneza, uma vez que “se a preservarmos, poderemos aproveitá-la ao máximo, e passar este legado aos nossos filhos”, diz o homem de 58 anos, que destaca o projeto como “fundamental para o ecossistema ”.

A salinidade é analisada continuamente, assim como a qualidade da água, da vegetação, e da fauna. Uma equipa de especialistas é encarregada de registar as espécies. Algumas como o Góbio da Grama são protegidos. Outros como a Dourada, a Tainha, a Solha ou o Branzino, são mais importantes para a pesca artesanal, explica Luca Scapin, também investigador da Universidade Ca Foscari.

O projeto teve o apoio da Comissão Europeia, e por isso os resultados serão partilhados com outras regiões da Europa que sofrem com problemas semelhantes, como é o caso de Hyeres (França), Albufera (Espanha), e Nestos Delta e Porto Lagos (Grécia).


TAGGED:AmbienteCiência & SaúdeItáliaMundoSustentabilidadeVeneza
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