O presidente da Associação Nacional de Imprensa Regional (ANIR) defendeu, esta quarta-feira, no Parlamento, a necessidade de reduzir os preços praticados pela agência Lusa aos órgãos de comunicação social regionais, como forma de reforçar a sustentabilidade do setor.
Durante uma audição na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, na Assembleia da República, em Lisboa, Eduardo Costa considerou essencial rever as tabelas de preços, sublinhando que estas devem ser ajustadas à realidade da imprensa regional.
O responsável destacou que não faz sentido aplicar os mesmos valores a publicações com características distintas, defendendo a criação de modelos diferenciados. “Um órgão mensal não pode pagar o mesmo que um diário”, afirmou.
Apesar de o Plano de Ação para a Comunicação Social, apresentado em outubro de 2024, prever descontos entre 50% e 75% para meios regionais e locais, estas medidas ainda não se encontram em vigor. O presidente do Conselho de Administração da Lusa, Joaquim Carreira, esclareceu que os descontos estão em fase de elaboração.
O responsável explicou ainda que os preços praticados pela agência têm em conta diversos fatores, como a periodicidade, a audiência e o volume de visualizações, não sendo aplicados de forma uniforme a todos os órgãos de comunicação social.
A audição decorreu no âmbito da discussão sobre o reforço da sustentabilidade das empresas de comunicação social, com especial enfoque nos meios locais e regionais.
Durante a intervenção, Eduardo Costa alertou para o agravamento dos chamados “desertos de notícias”, referindo a existência de territórios sem qualquer cobertura informativa, situação que considera preocupante a nível nacional e europeu.
Segundo o dirigente, a ausência de órgãos de comunicação social locais contribui para o aumento da desinformação e para o afastamento dos cidadãos da vida pública, fragilizando a relação com as instituições.
O presidente da ANIR criticou ainda a atuação de algumas autarquias, acusando-as de promoverem publicações com características semelhantes a órgãos de comunicação social, mas sem respeitarem as regras do setor, o que, no seu entender, prejudica a imprensa independente.
No plano estrutural, defendeu uma revisão das políticas públicas, incluindo os mecanismos de apoio e a distribuição da publicidade institucional, considerando necessário clarificar critérios e garantir uma maior equidade no acesso a esses recursos.
Por fim, Eduardo Costa sublinhou que a sustentabilidade do setor passa também pela criação de modelos empresariais mais integrados, defendendo a articulação entre imprensa, rádio e plataformas digitais, sem comprometer a independência editorial.
A ANIR esteve representada nesta audição por vários responsáveis do setor, incluindo representantes de diferentes órgãos de comunicação social regionais.


