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Home - País - PGR investiga Procuradora que interrogou os suspeitos do ataque a Alcochete

País

PGR investiga Procuradora que interrogou os suspeitos do ataque a Alcochete

Last updated: 23 Novembro, 2018 14:45
Redação
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Mário Cruz / Lusa

Academia de Alcochete

A Procuradoria-Geral da República anunciou a abertura de um inquérito disciplinar à Procuradora titular do processo da invasão à Academia do Sporting, Cândida Vilar. E também instaurou um inquérito-crime à divulgação de áudios de interrogatórios a arguidos do processo.

O inquérito disciplinar a Cândida Vilar prende-se com o tom utilizado pela magistrada em interrogatórios realizados no âmbito das agressões na Academia do Sporting. As gravações de alguns destes interrogatórios foram divulgadas pela CMTV.

Num dos áudios, é possível ouvir Nuno Torres, o homem que foi filmado a sair da Academia, depois das agressões, num carro onde seguiriam alguns dos elementos da claque que agrediram os jogadores. O tom da Procuradora Cândida Vilar é bastante ríspido, e ela chega a opinar que “quem perdeu a vida foi o Rui Patrício”.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=wODyq4GkaoI?feature=oembed&w=700&h=394]

A divulgação dos áudios dos interrogatórios a arguidos feita pela CMTV também originou “a instauração de inquérito criminal“, conforme anunciou a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Quanto à Procuradora, “foi determinada a abertura de um inquérito para averiguação de eventual responsabilidade disciplinar da magistrada”, frisa a PGR. “Na sequência do resultado deste inquérito, será decidida a instauração ou não de processo disciplinar”, explica ainda a PGR.

A procuradora Cândida Vilar, do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, deduziu acusação contra 44 arguidos por envolvimento no ataque à Academia do Sporting, que ocorreu a 15 de Maio com agressões a técnicos, jogadores e ‘staff‘ da equipa leonina.

Dos 44 arguidos do processo, 38 viram esta semana o juiz de instrução criminal do Barreiro Carlos Delca manter-lhes a medida de coação de prisão preventiva.

Os restantes seis arguidos, incluindo o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho e o líder da claque Juventude Leonina, Nuno Mendes, conhecido como Mustafá, encontram-se em liberdade, sendo que estes dois últimos tiveram de pagar uma caução de 70 mil euros, cada um, e estão obrigados a apresentações diárias às autoridades.

Mustafá e outros arguidos já anunciaram que vão requerer a abertura de instrução do processo, fase facultativa em que um juiz de instrução criminal vai decidir se leva os arguidos a julgamento.

O antigo oficial de ligação aos adeptos do clube Bruno Jacinto está entre os arguidos presos preventivamente, sendo acusado da autoria moral do ataque, tal como Bruno de Carvalho e Mustafá.

Aos arguidos, que participaram directamente no ataque, o MP imputa-lhes a co-autoria de crimes de terrorismo, 40 crimes de ameaça agravada, 38 crimes de sequestro, dois crimes de dano com violência, um crime de detenção de arma proibida agravado e um de introdução em lugar vedado ao público.

Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade física qualificada, 38 de sequestro, um de detenção de arma proibida e crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados. Mustafá está também acusado de um crime de tráfico de droga.

No seguimento do ataque, nove jogadores rescindiram unilateralmente os contratos com o Sporting, e quatro deles, Daniel Podence, Gelson Martins, Ruben Ribeiro e Rafael Leão, mantêm-se em litígio com o clube.

William Carvalho e Rui Patrício acordaram os valores para a sua saída, enquanto Bas Dost, Bruno Fernandes e Rodrigo Battaglia voltaram atrás na decisão de abandonar o clube.

Fonte: ZAP

TAGGED:JustiçaNacionalSportingviolência
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