Penafiel, Portugal – Dezenas de famílias na região do Tâmega e Sousa veem o seu dia a dia ser profundamente alterado com o início de novas abordagens para a integração e o suporte à saúde mental de jovens e crianças. No Hospital Padre Américo, localizado em Penafiel, uma valência clínica especializada ensina jovens, muitas vezes diagnosticados com Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) de elevado funcionamento, a ultrapassar barreiras severas na interação social, ajudando-os a construir amizades, a gerir a rejeição e a identificar situações de assédio escolar.
Competências sociais e o impacto do programa PEERS nas famílias
A mais recente edição deste projeto inovador, que decorreu no início do ano de 2026, estrutura-se em dez sessões de capacitação intensiva. Aida Monteiro, que reside em Cinfães, um concelho a cerca de 45 quilómetros de Penafiel, partilhou o impacto tangível na vida da sua filha de 13 anos. Observa que a jovem agora consegue iniciar conversas mais elaboradas, um progresso que atribui diretamente às estratégias adquiridas no grupo. A filha de Aida, consciente das suas dificuldades de comunicação e da sua preferência por momentos de isolamento, encontrou no programa um espaço de conforto e confiança, onde fez amigos e se sentiu verdadeiramente integrada.
Maria Silva, mãe de uma participante de 17 anos oriunda de Penafiel, também testemunhou uma notável evolução comportamental na sua filha. A partir da metade do ciclo terapêutico, os jovens demonstravam um entusiasmo crescente, chegando mais cedo às sessões para conviver na sala de espera. Maria salienta que o programa dota os jovens de competências essenciais e oferece um valioso apoio às mães. Ela descreve que os participantes no início do programa eram visivelmente diferentes dos que o concluíram, com a sua filha a criar laços significativos, a fazer novas amizades e a encontrar pessoas com interesses partilhados, o que lhe permitiu compreender muitas dinâmicas antes inacessíveis.
Envolvimento dos pais e nova edição confirmada para setembro
O programa, conhecido como PEERS (Program for the Education and Enrichment of Relational Skills), pode ser traduzido livremente como “Programa para a Educação e o Enriquecimento das Competências Relacionais”. É implementado por uma equipa multidisciplinar da Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa (ULSTS), que inclui psicólogas e terapeutas ocupacionais. Desde a sua criação em 2022, a iniciativa já apoiou mais de 30 jovens e prepara-se para iniciar um novo grupo em setembro, demonstrando a sua expansão e sucesso.
A psicóloga Cristina Costa sublinha a importância de realizar estas sessões enquanto os jovens frequentam as aulas, permitindo-lhes aplicar de imediato as competências desenvolvidas. O objetivo primordial do programa é dotar os participantes de ferramentas práticas que facilitem a construção e manutenção de amizades, promovendo assim uma maior autonomia e integração no tecido social.
As sessões do PEERS incluem simulações de situações do dia a dia e discussões sobre experiências quotidianas. Aos encarregados de educação é atribuída a tarefa de monitorizar a execução de “trabalhos de casa” práticos, como a manutenção de conversas através de mensagens por telemóvel. A terapeuta ocupacional Rita Fonseca explica que o programa ensina competências específicas e que os pais são incentivados a assegurar que os jovens as pratiquem. A psicóloga Alexandra Ribeiro, responsável pela ligação com as famílias, corrobora, afirmando que a principal preocupação dos pais que procuram consulta é precisamente a dificuldade dos filhos na socialização, dado que muitos são jovens que tendem a isolar-se e não conseguem estabelecer amizades.
Um dos aspetos distintivos do programa PEERS é a participação ativa dos pais em sessões paralelas, que lhes oferecem o seu próprio espaço de aprendizagem e partilha. A ULSTS, que gere os hospitais de Penafiel e Amarante, serve uma vasta população de cerca de meio milhão de pessoas distribuídas por 11 municípios. A entidade considera o PEERS uma ferramenta verdadeiramente transformadora, capaz de fomentar a confiança, a inclusão e, em última análise, melhorar significativamente a qualidade de vida dos jovens e das suas famílias na região.


