Penafiel, Portugal – O fogo que atingiu o concelho de Penafiel na última segunda-feira deixou um rasto de destruição que ultrapassa a vegetação. Na freguesia de Luzim, as chamas consumiram uma instalação que funcionava como canil sem licenciamento. A tragédia foi descoberta quando os operacionais que combatiam o sinistro encontraram vários animais sem vida, alguns já em estado de carbonização.
A existência do espaço era, aparentemente, um segredo mal guardado. Residentes locais garantem ter alertado as entidades competentes para o funcionamento daquela estrutura, sublinhando que os animais viviam em condições degradantes, marcadas por uma visível subnutrição e negligência prolongada.
A Intervenção e Resgate Animal (IRA) mobilizou-se para o teatro de operações, articulando esforços com as forças de segurança no sentido de localizar e retirar qualquer animal que tivesse escapado ao avanço do fogo. A Câmara Municipal de Penafiel confirma que, após uma verificação rigorosa no terreno, foram contabilizados dois cavalos e um cão mortos, enquanto 15 cães foram retirados em segurança.
Pairam agora dúvidas sobre o estado anterior dos equinos. A autarquia indica que o proprietário teria solicitado previamente a recolha dos cavalos aos serviços do Ministério da Agricultura, sugerindo que os animais poderiam já estar mortos antes de o incêndio deflagrar. Esta hipótese está agora a ser alvo de investigação pelas autoridades responsáveis para determinar a cronologia dos acontecimentos.
O caso permanece sob vigilância ativa. O SEPNA da GNR e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) estão a coordenar o acompanhamento do processo, em conjunto com o Serviço Municipal de Veterinária e a Proteção Civil local.
Quanto ao combate às chamas, a situação estabilizou durante a madrugada de terça-feira. Às 10h00, o dispositivo no local contava ainda com 209 operacionais e 70 veículos, focados exclusivamente em manobras de consolidação e vigilância para evitar reacendimentos na zona afetada.


