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Home - Saúde e Bem Estar - Infertilidade: entre o estigma e a necessidade de informação

Saúde e Bem Estar

Infertilidade: entre o estigma e a necessidade de informação

Last updated: 2 Junho, 2025 19:29
Redação/Paivense
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Getty Images Para Unsplash+
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Apesar de, em Portugal, segundo Miguel Lopo Tuna, médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia da Ava Clinic, com subespecialidade em Medicina de Reprodução, a infertilidade afetar 500.000 casais, ou seja, cerca de 15% da população, este tema “tem um grande estigma social, sendo quase um tabu na maioria dos países e ainda mais nos países latinos, como Portugal”. E não há melhor do que o Mês de Consciencialização para a Fertilidade para deixar por terra estes mitos e “falar abertamente do problema, quer com os médicos, quer com familiares e amigos”.

Até porque, reforça o especialista, é essencial “não adiar a investigação para o início dos tratamentos de procriação medicamente assistida (PMA). Quanto mais tarde forem iniciados os tratamentos, menor a probabilidade de se construir a família desejada. É muito importante ter uma noção realista de qual é a fertilidade natural, quais os custos e as taxas de sucesso dos tratamentos”.

Num País onde existem cerca de 29 centros de PMA (entre públicos e privados) a fazer tratamentos específicos de infertilidade, com cerca de 70 subespecialistas em Medicina da Reprodução, e onde “são permitidas e estão disponíveis todas as técnicas de PMA, quer para casais heterossexuais, para casais do mesmo sexo e mulheres solteiras”, o médico confirma que “as taxas de sucesso são equivalentes às melhores dos melhores centros do mundo”, para procurar dar resposta àquelas que são as principais causas da infertilidade: “fatores ovulatórios (anovulação ou má qualidade dos óvulos), questões relacionadas essencialmente com a idade, e fatores tubários, no caso da mulher; assim como problemas de esperma, do lado masculino”.

Mas estes não são os únicos problemas a afetar a fertilidade. De acordo com o especialista, há hábitos que podem ter impacto e que merecem mais destaque, como “um bom sono, uma alimentação equilibrada (dieta mediterrânica), a atividade física regular e a abolição de vícios como o tabaco, excesso de café ou de álcool, que são essenciais quer para uma boa fertilidade, quer para o sucesso dos tratamentos”.

A estes, Miguel Lopo Tuna junta ainda “a vigilância ginecológica para despiste de certas patologias, como a endometriose, miomas e infeções de transmissão sexual, que são muito importantes. E é também fundamental alertar as mulheres para a importância da idade na sua fertilidade: a fertilidade natural de base nunca é muito alta (cerca de 20 a 30% ) e à medida que as mulheres envelhecem, esse valor cai, atingindo, aos 35 anos, cerca de 10%. É preciso também alertar os casais que os tratamentos de PMA podem não chegar a resultar, especialmente se forem adiados por muito tempo”.

Isto apesar de, como confirma o especialista, “esta área ter uma investigação científica muito ativa. Neste momento, as grandes inovações têm a ver com meios de cultura laboratoriais e estudos genéticos e imunológicos. Em Portugal, apesar de não haver uma investigação científica robusta, beneficiamos diretamente de toda a investigação que rapidamente é disponibilizada aos centros públicos e privados, através das publicações e reuniões científicas”.

Para os casais que estão a enfrentar dificuldades em engravidar, Miguel Lopo Tuna deixa alguns conselhos: “adquirir hábitos saudáveis, eliminando tabaco, álcool, café, excesso de alimentos processados e ricos em hidratos de carbono; entender o ciclo menstrual e o período fértil feminino; entender que um homem pode engravidar uma mulher durante todo o mês, enquanto a mulher tem apenas uma janela. em cada mês, de cerca de 3 a 5 dias na qual está fértil. Não havendo patologia em qualquer membro do casal, no máximo ao fim de um ano de vida sexual regular sem contraceção e sem gravidez devem procurar ajuda médica; se existir patologia em qualquer membro do casal, no máximo em 6 meses têm de procurar ajuda diferenciada. Atenção que, apesar de todos os tratamentos de PMA estarem disponíveis no sistema público, há um limite de idade de 39 anos para as mulheres e um tempo de espera de cerca de um ano para efetuar tratamentos”.

Da parte da sociedade, reforça a importância de “desmistificar o problema da infertilidade, um problema que afeta de forma transversal todos os estratos sociais, raças e credos, implicando sempre um apoio de familiares e amigos neste momento tão difícil para os casais”.

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