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RegionalTecnologia

Montijo lança aplicativo nacional para primeiras 72 horas de catástrofes

Last updated: 2 de Novembro, 2026
Redação/Paivense
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6 Min Read
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Montijo, Portugal – A partir de agora, qualquer cidadão em território nacional pode descarregar uma aplicação para dispositivos móveis desenhada para antecipar cenários de catástrofe e preparar agregados familiares inteiros. Batizada como «K72 SMPC Montijo», a plataforma já se encontra disponível para instalação através da App Store e do Google Play, fornecendo orientações práticas sobre o que armazenar em casa e como agir para assegurar o conforto e a integridade física quando a normalidade é interrompida.

A revelação pública oficial da ferramenta digital decorre no dia 5 de novembro, a partir das 17h00, nos Paços do Concelho do Montijo. O evento institucional conta com a presença confirmada do Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, marcando a transição de uma recomendação teórica para uma solução tecnológica aplicável à escala nacional.

Ao financiar e apoiar o desenvolvimento deste guia digital, a estrutura de socorro local foi muito além dos tradicionais avisos institucionais. A meta central consiste em dotar a população de autonomia, estruturando planos de ação familiares sólidos capazes de resistir ao caos inicial de um acidente grave ou de um fenómeno extremo.

A designação «K72» resume com exatidão a filosofia do projeto: garantir a autoproteção dos cidadãos durante a janela temporal mais perigosa de qualquer crise, que corresponde precisamente às primeiras 72 horas após o evento inicial, período em que os meios de socorro tradicionais podem demorar a chegar a todas as frentes.

O conceito foi idealizado por Carlos Batista, realizador de documentários e dirigente da Unidade Local de Proteção Civil do Montijo e Afonsoeiro. O processo contou desde o primeiro momento com o escrutínio e colaboração do Serviço Municipal de Proteção Civil do Montijo. André Morais, responsável máximo por esta unidade, sublinha que o grande obstáculo reside em transmutar o conhecimento abstrato numa rotina de preparação tangível. Na prática, traduz-se em mapear os riscos concretos, estabelecer protocolos de contacto entre familiares e definir reações imediatas perante a rutura súbita das dinâmicas quotidianas.

O principal intuito passa por incentivar cada núcleo familiar a reservar momentos específicos para debater o tema à mesa. Perguntas simples como saber o que fazer, onde reencontrar os restantes elementos ou identificar quem necessita de apoio prioritário ganham nova urgência com o auxílio desta ferramenta.

Em termos operacionais, a tecnologia funciona como um manual de sobrevivência digital. Permite estruturar o conteúdo de mochilas destinadas a diferentes cenários, desde a permanência resguardada no interior da habitação até à evacuação de emergência, contemplando inclusivamente kits específicos para veículos e animais de estimação.

A interface detalha os 45 elementos essenciais que devem integrar uma mochila de evacuação. Entre eles encontram-se mantimentos para garantir abrigo, água, fontes de alimentação, combustíveis para lume, utensílios de corte, cordas, produtos de higiene, medicação regular, sistemas portáteis de comunicação e energia, além de documentação pessoal e ferramentas de orientação geográfica. O utilizador pode gerir o inventário digitalmente, assinalando o que já possui e identificando falhas. Se surgir dificuldade na aquisição de determinados artigos, a plataforma direciona o cidadão para exemplos comerciais disponíveis online.

Alguns dos componentes sugeridos podem parecer inovadores ou pouco habituais para o cidadão comum, como os filtros purificadores de água tipo LifeStraw, pastilhas desinfetantes, estações de energia portáteis ou redes de comunicação alternativa baseadas na tecnologia Meshcore, fundamentais quando as infraestruturas convencionais colapsam.

Para além do apoio logístico na gestão das mochilas, a aplicação integra funcionalidades de alerta emitidas diretamente pelas autoridades, ferramentas para construir um plano de contingência familiar e um sistema de inventário que avisa quando os prazos de validade dos medicamentos e alimentos armazenados estão prestes a expirar.

Caso o desastre ocorra e o telemóvel permaneça acessível, o utilizador dispõe de instruções diretas e sintetizadas sobre a conduta a adotar perante perigos específicos. O leque abrange situações de incêndio urbano, libertação de gases tóxicos, sismos, episódios de temperaturas extremas, falhas generalizadas no abastecimento de água e eletricidade, bem como cheias e inundações.

O autor do projeto explica que a génese da aplicação nasceu da necessidade de criar um instrumento que mobilizasse as pessoas para a prática, ultrapassando a mera transmissão de dados informativos que muitas vezes se perdem no quotidiano.

A vertente técnica foi desenhada a pensar na resiliência: a aplicação opera integralmente sem ligação à internet, exigindo apenas que o telemóvel mantenha carga elétrica na bateria. Questões de privacidade foram acauteladas através do armazenamento local de toda a informação inserida pelo utilizador, garantindo que os dados nunca saem do aparelho e não alimentam bases externas.

Apesar de ter germinado no concelho do Montijo, a ambição subjacente é que a ferramenta ganhe escala nacional, funcionando como um escudo preventivo para todos os portugueses perante a eventualidade de uma catástrofe.

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