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13 de Outubro em Fátima “sim, mas sem peregrinos”. Delegada de Saúde espera que a Igreja se “porte bem”

Paulo Cunha / Lusa

A delegada de Saúde Pública do Médio Tejo defende que as cerimónias religiosas do 13 de Outubro no Santuário de Fátima decorram “sem peregrinos”, esperando que a Igreja se porte “tão bem” como aquando do 13 de Maio.

“A minha posição é a posição que a Igreja adoptou para o 13 de Maio”, sustenta à agência Lusa Maria dos Anjos Esperança, coordenadora da Unidade de Saúde Pública (USP) do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo.

“A Igreja que tão bem esteve no 13 de Maio, fazendo a transmissão das cerimónias para que todos as pudessem acompanhar, acho que agora em Outubro, para bem da população, para bem de todos, poderia também adoptar essa postura”, acrescenta esta responsável.

Maria dos Anjos Esperança observa que, “também o povo se portou muito bem no 13 de Maio, não se deslocou a Fátima, e compreendeu perfeitamente a situação que estávamos a viver”.

“Com o aumento do número de casos que tem havido ultimamente, não só no país como em muitos outros países da Europa, eu sou da opinião que cerimónias em Fátima sim, mas sem peregrinos“, insiste a delegada de Saúde.

No passado 13 de Setembro, o acesso ao Santuário de Fátima foi bloqueado quando o complexo religioso atingiu a lotação máxima permitida no contexto da pandemia de covid-19.

Nos últimos dias, chegou-se a noticiar que a Direcção Geral de Saúde (DGS) poderia permitir até um máximo de 50 mil pessoas no Santuário no próximo dia 13 de Outubro.

Mas a directora-geral da saúde, Graça Freitas, já veio referir que não parece “expectável” que aquele número se verifique, garantindo também que a DGS não foi contactada sobre a matéria.

“Não nos chegou nenhum pedido de parecer, nenhum plano de contingência, nenhuma planta do Santuário, e portanto, estando nós em situação de contingência, com uma epidemia a subir, e apesar de (nem) a DGS ou qualquer outra autoridade de saúde ter sido consultada sobre o assunto, não nos parece expectável 55 mil pessoas no santuário”, apontou Graça Freitas.

Sindicato denuncia “situações gravíssimas” com IPSS da Igreja Católica

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro (STIHTRSC) denuncia que cerca de 1.000 pessoas perderam o emprego em Fátima.

“As 170 unidades hoteleiras de Fátima são responsáveis por cerca de 2.000 postos de trabalho. Cerca de 50% dos trabalhadores são efectivos e os outros contratados a prazo e muitos no período sazonal. Portanto, cerca de 1.000 terão perdido o emprego“, aponta o presidente do STIHTRSC, António Baião.

O dirigente sindical alerta ainda que na restauração é mais difícil saber os números de trabalhadores que perderam o emprego, uma vez que “existe mais clandestinidade e trabalho não declarado”,

“A muitos, os patrões disseram-lhes vão para casa, metam baixa médica ou licença sem vencimento, porque os chamaremos. Sabemos que muitas unidades de restauração já abriram e muitos desses trabalhadores não foram chamados”, refere ainda.

António Baião critica ainda que em Fátima muitas unidades hoteleiras e instituições particulares de solidariedade social (IPSS) são geridas por “padres e freiras” que diz que “não respeitam os direitos dos trabalhadores”.

“Existem nestas unidades muitas situações de assédio laboral e de alteração de horários de trabalho, situações que são gravosas e feitas por instituições que são geridas pela Igreja Católica”, acusa ainda o sindicalista.

“Combatemos e denunciamos as práticas erradas de alguns padres e freiras, que se nos dirigem com palavras como solidariedade, fraternidade e respeito pelo próximo, que depois não são praticados”, lamenta a dirigente sindical Helena Cardinali.

Em algumas IPSS, verificaram-se “situações gravíssimas, de pessoas que estiveram 15 dias sem saírem da instituição e sem condições para descansarem”, aponta ainda Helena Cardinali.

Estavam como prisioneiras a trabalhar 24 sobre 24 horas, sem direito a estarem com a família e a ter vida própria”, refere também.

António Baião acrescenta que o Santuário de Fátima “terá revertido a posição do despedimento coletivo por despedimentos por mútuo acordo“.

“Há pessoas com idade mais avançada que estão a ser chamadas e pressionadas para rescindir por mútuo acordo”, denuncia ainda António Baião, considerando que a Igreja Católica está a passar “uma imagem para a sociedade portuguesa que não deve dar”. “Já basta aquilo que fazem as empresas privadas que querem o lucro”, conclui o presidente do sindicato.


Fonte: ZAP