A Estação de Avisos de Entre Douro e Minho (CCDR Norte/DGAV) publicou esta sexta-feira, 26 de junho, a Circular nº 10/2026, alertando os agricultores da região para um conjunto de ameaças que exigem atenção imediata nas vinhas, bem como noutras culturas como a actinídea, os mirtilos, os citrinos, a nogueira e a batateira.
Míldio: tempo instável aumenta o risco de novas infeções
Junho tem sido marcado por tempo incerto — oscilações de temperatura, orvalhos e nevoeiros matinais, sobretudo na faixa atlântica da região. Apesar de não terem sido detetados ataques severos de míldio nas vinhas observadas, os aguaceiros registados no dia 25 (entre 1,5 e 16 mm, dependendo da localidade) criaram condições favoráveis a novas infeções.
A estação recomenda que, nas vinhas desprotegidas onde choveu, se aplique de imediato um fungicida de ação curativa. Para tratamentos preventivos futuros, sugere-se o uso de fungicidas de contacto à base de cobre, que ajudam ainda no atempamento das varas.
Oídio aproveita o tempo enevoado
O tempo quente, enevoado e com luz difusa está a criar condições ótimas para o oídio. Em vinhas sem tratamento específico já se notam ataques ligeiros aos bagos. A recomendação é juntar à calda anti-míldio um produto à base de enxofre, ou recorrer a fungicidas com ação múltipla.
Black rot e podridão cinzenta sob vigilância
Embora não tenham sido observados muitos sintomas de black rot, a estação alerta que chuva seguida de sol forte favorece contaminações, sendo aconselhável optar por fungicidas com ação específica contra esta doença.
Quanto à podridão cinzenta (Botrytis cinerea), o segundo tratamento padrão — a realizar ao fecho do cacho — está ainda a decorrer. A necessidade e intensidade do tratamento devem ser avaliadas conforme o histórico de sensibilidade de cada parcela.
Flavescência dourada: doença sem cura exige arranque de plantas infetadas
Um dos alertas mais sérios da circular diz respeito à flavescência dourada da videira, doença causada por um fitoplasma transmitido pela cigarrinha Scaphoideus titanus. Os sintomas — varas pendentes e por atempar, folhas cloróticas e enroladas, ausência ou aborto de cachos — já são visíveis nas vinhas infetadas.
A estação sublinha que não existe recuperação possível para videiras afetadas: a planta entra em declínio progressivo até à morte. Por isso, o combate ao inseto vetor por si só não basta — é indispensável identificar e arrancar imediatamente as videiras doentes, de forma a evitar a propagação a plantas sãs.
Tratamento obrigatório a partir de 27 de junho
Em cumprimento da Portaria nº 267/2023 e do Despacho nº 69/G/2026 da DGAV, é obrigatório o tratamento contra a cigarrinha da flavescência dourada em vinhas de freguesias específicas da região. O calendário definido é o seguinte:
| Tratamento | Período | Obrigatoriedade |
|---|---|---|
| 1º | 27 de junho a 4 de julho | Todos os produtores nas zonas abrangidas |
| 2º | 18 de julho a 1 de agosto | Apenas freguesias da lista anexa |
| 3º | 15 a 22 de agosto | Apenas freguesias da lista anexa |
A circular inclui ainda uma lista detalhada, concelho a concelho e freguesia a freguesia, com o número de tratamentos exigidos, além de um quadro com os inseticidas homologados — alguns dos quais têm ação simultânea contra a traça-da-uva e a cigarrinha verde. Os produtores devem respeitar rigorosamente os intervalos de segurança indicados para cada substância ativa.
Traça-da-uva e cigarrinha verde em níveis baixos, mas a monitorizar
Está em curso o segundo voo da traça-da-uva (Lobesia botrana), mas as larvas detetadas encontram-se em níveis insignificantes. A estação recorda que as capturas em armadilha servem apenas para estimar o risco, não para decidir tratamentos — os produtores devem fazer a contagem em 100 cachos por parcela, conforme metodologia própria.
Quanto à cigarrinha verde (Empoasca vitis), os níveis de ninfas mantêm-se igualmente baixos e, de momento, sem risco identificado. O próximo tratamento obrigatório contra a flavescência dourada deverá ser suficiente para controlar também esta praga.
Esca continua a debilitar videiras
Tal como no ano passado, os sintomas secundários da esca surgiram precocemente. A estação recomenda marcar já as videiras mais afetadas — secas ou sem produção viável, para arranque imediato — e as que ainda têm alguma produção, para serem arrancadas após a vindima ou trabalhadas durante a poda.
Outras culturas também sob alerta
- Actinídea: os pomares afetados pela bacteriose PSA apresentam sintomas bem visíveis. A poda em verde deve ser feita em tempo seco, com remoção rápida do material cortado.
- Mirtilos: recomenda-se reforçar as armadilhas de captura massiva contra a drosófila-de-asa-manchada e facilitar a entrada de aves insetívoras após a colheita.
- Citrinos: já há capturas de mosca-do-mediterrâneo nas armadilhas da região, sendo aconselhada vigilância redobrada. Alerta-se também para o risco de rachamento dos frutos associado ao stress hídrico.
- Nogueira: inicia-se o voo da mosca da casca verde da noz, recomendando-se tratamento preventivo à base de caulino.
- Batateira: as condições instáveis favorecem o míldio, sendo essencial manter a cultura protegida até à colheita.


