Nazaré, Portugal – O predador de grande porte causou a fuga invulgar de golfinhos a cerca de duas milhas da costa de São Martinho do Porto
Um animal de grande porte, com dimensões estimadas entre os três e os quatro metros, foi detetado na manhã de uma quinta-feira, 23 de julho, durante uma viagem turística ao largo da costa da Nazaré.
O encontro ocorreu a aproximadamente duas milhas náuticas da linha de costa de São Martinho do Porto. Nuno Santos, responsável pela empresa Ocean Adventures que opera na região, relatou o comportamento invulgar da fauna marítima local momentos antes do avistamento.
De acordo com a descrição do operador marítimo, os golfinhos que habitualmente acompanham a embarcação desapareceram de forma repentina do local. Pouco depois, surgiu junto à proa do barco uma barbatana de grandes dimensões. A observação da zona ventral esbranquiçada levou a tripulação a suspeitar tratar-se de um tubarão-branco, tendo a ocorrência sido imediatamente comunicada às autoridades competentes.
Migração de predadores para águas mais frias
Este episódio coincide com as conclusões de um estudo científico internacional recente, que contou com a participação de especialistas portugueses. A investigação indica que os tubarões-brancos estão a deslocar-se progressivamente em direção aos polos geográficos em busca de águas com temperaturas mais baixas.
Classificado como um animal mesotérmico, este predador possui a capacidade de conservar o calor interno, mantendo a temperatura corporal acima da temperatura do meio aquático circundante. Esta particularidade de sangue quente torna a espécie, atualmente sob forte ameaça de extinção, extremamente vulnerável às alterações climáticas globais.
Os cientistas de Portugal envolvidos neste projeto realizaram a monitorização e marcação de vários exemplares no arquipélago dos Açores. Os dados recolhidos permitiram concluir que o aquecimento progressivo dos oceanos dificulta a regulação térmica destes peixes, forçando alterações drásticas nas suas rotas migratórias e na sua distribuição geográfica.
A investigação demonstra ainda que o tamanho físico dos espécimes desempenha um papel crucial na sua sobrevivência. Os indivíduos de maiores dimensões acumulam mais calor corporal do que os espécimes mais jovens, enfrentando obstáculos acrescidos para arrefecer o organismo face à subida global da temperatura das águas marinhas.


