A Casa de Algar voltou a cumprir uma tradição já consolidada ao longo da última década, promovendo, no passado sábado, a apresentação da colheita de 2025 dos vinhos verdes da marca “Pata da Burra”, num encontro realizado na adega da quinta, em Castelo de Paiva.
O evento reuniu amigos, clientes, especialistas, enófilos e convidados, contando ainda com a presença dos vereadores Rui Gomes e Francisco Silva, bem como do presidente da Assembleia Municipal, Victor Moreira, e do presidente da Junta de Freguesia de São Martinho, João Moreira.
Durante a iniciativa foi apresentada a nova gama de vinhos verdes “Pata da Burra”, produzida nesta exploração vinícola paivense, com várias provas comentadas que permitiram aos participantes apreciar aromas, sabores e características distintas de cada referência.
Entre os destaques esteve o já premiado monovarietal “Pata da Burra Avesso”, anteriormente distinguido no concurso da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, descrito como um vinho intenso, complexo e persistente, com 13 graus de teor alcoólico.

Foram igualmente apresentados o clássico “Escolha”, caracterizado pelo perfil jovem, frutado e elegante, e o Rosé produzido exclusivamente com a casta Espadeiro, com um perfil fresco, vibrante e uma cor mais apurada.
A grande novidade da colheita de 2025 foi o “Pata da Burra Três Gerações”, vinho elaborado com uvas das colheitas de 2021, 2022 e 2023, apresentando um perfil distinto dos tradicionais vinhos verdes brancos da marca. Com 12,5 graus, trata-se de um vinho pensado para envelhecer, assumindo-se como um produto mais tranquilo, estruturado e de guarda.
Também o “Pata da Burra” tinto, produzido a partir da casta Vinhão, esteve em prova, assim como o “Pata da Burra Reserva 2022”, um vinho verde branco de perfil tropical, equilibrado e suave.
Os vinhos da Casa de Algar resultam de um projeto familiar liderado pelo engenheiro Alberto Guedes da Costa e pela esposa, Ana Maria Crava, contando igualmente com a colaboração das três filhas do casal. A exploração vitivinícola ocupa cerca de 12 hectares em Santa Maria de Sardoura, beneficiando de uma localização privilegiada numa encosta a cerca de 150 metros de altitude.

Apesar de a produção de 2025 ter sido inferior ao habitual, situando-se em cerca de meia centena de pipas de vinho verde, Guedes da Costa mostrou-se satisfeito com os resultados alcançados e com a aceitação dos vinhos da marca no mercado. O produtor destacou ainda o trabalho desenvolvido pela equipa, nomeadamente pelo enólogo Jorge Sousa Pinto e pelo mestre da adega, Flávio Rodrigues.
O responsável revelou também a intenção de aumentar a produção através da construção de uma nova e moderna adega, reforçando simultaneamente a aposta no enoturismo, área onde a unidade de turismo rural da quinta, com seis suítes, tem registado uma elevada taxa de ocupação.
À semelhança de anos anteriores, a apresentação dos vinhos esteve a cargo do enólogo Jorge Sousa Pinto, que conduziu uma prova comentada junto dos convidados, destacando a importância da consistência qualitativa da marca ao longo dos anos.

“O mais fácil é fazer um grande vinho, o mais difícil é garantir consistência durante anos consecutivos”, afirmou o especialista, sublinhando que a Casa de Algar tem conseguido manter um perfil de qualidade reconhecido no mercado.
O enólogo destacou ainda que 2025 foi um ano particularmente exigente para a produção vitivinícola, defendendo igualmente a necessidade de a Região dos Vinhos Verdes apostar em vinhos com maior capacidade de envelhecimento, personalidade e valorização no mercado.
Na ocasião, o vereador Rui Gomes enalteceu a qualidade dos vinhos produzidos em Castelo de Paiva, considerando que o trabalho desenvolvido pelos produtores locais contribui para afirmar a Sub-Região de Paiva e reforçar a importância do setor vitivinícola na economia local.


