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Home - Economia - Construção abranda no primeiro trimestre de 2026 apesar de sinais de resiliência do setor

Economia

Construção abranda no primeiro trimestre de 2026 apesar de sinais de resiliência do setor

A sucessão de fenómenos meteorológicos adversos teve impacto direto na atividade do setor, refletindo-se na volatilidade do consumo de cimento.

Last updated: 16 Maio, 2026 3:00
Erre Soares
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© freestockcenter
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O primeiro trimestre de 2026 ficou marcado por sinais de menor dinamismo no setor da construção, num contexto de abrandamento económico e forte instabilidade meteorológica, segundo dados divulgados pela AICCOPN – Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas.

De acordo com a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE), o Produto Interno Bruto registou um crescimento homólogo de 2,3% no primeiro trimestre do ano, embora tenha apresentado uma variação nula em cadeia, sinalizando uma desaceleração do ritmo de crescimento económico.

A sucessão de fenómenos meteorológicos adversos teve impacto direto na atividade do setor, refletindo-se na volatilidade do consumo de cimento. Após dois meses consecutivos de quebra, o consumo registou uma recuperação significativa de 26% em março, permitindo encerrar o trimestre com uma subida acumulada de 2,2%.

No licenciamento municipal, os indicadores revelam um forte abrandamento da atividade. Até fevereiro de 2026, o número total de licenças emitidas caiu 18,7% em termos homólogos. A redução foi particularmente acentuada na área licenciada para habitação, que registou uma quebra de 21,7%, enquanto o segmento não residencial apresentou uma diminuição de 12,2%.

Ao nível dos custos de produção, o Índice de Custos de Construção de Habitação Nova registou, em fevereiro, uma variação homóloga de 4,7%. O aumento dos custos foi impulsionado sobretudo pela componente da mão de obra, que cresceu 8,2%, enquanto os preços dos materiais registaram uma subida mais moderada de 1,7%.

A AICCOPN sublinha ainda que estes dados antecedem o agravamento da instabilidade geopolítica no Médio Oriente, nomeadamente o conflito no Irão, pelo que os impactos nos custos energéticos e das matérias-primas ainda não se encontram totalmente refletidos nos indicadores disponíveis.

Apesar do abrandamento da atividade, o setor evidenciou sinais de resiliência no plano financeiro. Segundo dados do Banco de Portugal, o stock de crédito às empresas da construção aumentou 11,2% em março, atingindo os 7,2 mil milhões de euros. Em simultâneo, verificou-se uma redução de 9,2% no crédito vencido, em contraste com o aumento de 4,1% do incumprimento registado no conjunto das empresas nacionais.

Também o mercado das obras públicas apresentou uma contração significativa no primeiro trimestre. O valor dos concursos públicos promovidos totalizou 1.982 milhões de euros, traduzindo uma quebra homóloga de 26%. Já os contratos de empreitadas celebrados somaram 956 milhões de euros, menos 27% face ao mesmo período de 2025.

Ainda assim, os dados revelam que a produção global do setor da construção manteve uma variação anual positiva de 4,1%, impulsionada sobretudo pelo segmento da engenharia civil, que cresceu 5,5%.

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