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Castelo de Paiva

Entrevista: João Milheiro lança obra musical que já foi comprada na Finlândia e Espanha

Redação
Last updated: 28 Fevereiro, 2018 23:13
Redação
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João Milheiro é trompetista. Estudou, entre outros vários locais, na Academia de Música de Castelo de Paiva, tendo enveredado pelo ensino universitário na vertente de trompete apenas com 17 anos, graças aos seus conhecimentos musicais elevados.

Agora, já no mestrado, lançou a sua obra “Last Run”, uma peça para trompete e percussão que compôs para tocar no seu Recital de Licenciatura. Embora tenha feito vários trabalhos de composição ao longo destes anos, João Milheiro, natural da Corga do Lobão, com apenas 21 anos, vê a sua obra comparada já por países como Finlândia e Espanha.

Contents
  • João Milheiro é trompetista. Estudou, entre outros vários locais, na Academia de Música de Castelo de Paiva, tendo enveredado pelo ensino universitário na vertente de trompete apenas com 17 anos, graças aos seus conhecimentos musicais elevados.
  • Entrevista
        • AMCP vai trazer Banda da Armada no âmbitos das comemorações dos 30 anos

Em entrevista, o jovem contou alguns pormenores sobre a sua obra musical:

Entrevista

O que difere essa obra das demais que compuseste?
Para mim, esta obra sempre foi especial embora não estivesse previsto desde início a sua publicação. Durante todo o processo compositivo, apenas tinha em mente a obra com a qual eu terminaria o meu recital final de Licenciatura e, consequentemente, a conclusão de todo o curso.
Além disso, iria terminar acompanhado pela meu irmão, Rui Milheiro, que é neste momento professor de Percussão e iria dedicar esta obra ao meu pai pois foi o pilar de toda a minha formação musical.
Logo desde início esta obra tinha tudo de especial para mim. A ideia da publicação surgiu logo após ter partilhado alguns compassos com os meus colegas. As críticas foram super positivas. Esses meus colegas e professores foram os que me levaram a tomar esta opção pois desde logo me garantiram que seriam os primeiros a comprar a partitura. A partir daí, houve um longo processo até chegarmos à presente publicação.
E em termos de vendas como está a correr?
Neste momento estou a começar a distribuição. Tenho já cerca de 15 partituras encomendadas incluindo dois para a Finlândia é uma para Espanha.
Estes números são bastante positivos uma vez que ainda não divulguei publicamente qualquer gravação.
Como descreves a tua obra?
Em relação à obra em si, não é uma obra atonal, apesar de também não pertencer ao domínio tonal. Vão ocorrendo diversos centros tonais embora não tenham a concepção habitualmente dada a este conceito. Tem uma linguagem jazzística apesar da métrica bastante irregular com constantes alterações entre tempo simples e composto.
Tentei na peça explorar também a possibilidade do intérprete proceder a alguns momentos de comédia na medida em que poderão ser retiradas bombas ao longo da obra. Isso levou a que no 3o andamento recorresse apenas à utilização do nosso 2o pistão o que me ajudou a alcançar uma linguagem flamenca e festiva.
Na óptica do performer, esta peça foi uma espécie segurança no recital, ou seja, utilizei esta peça a meu favor. Com isto quero dizer que explorei aquilo que considerava serem os meus pontos fortes ao nível trompetístico.
Não seria inteligente se explorasse as questões em que não me sinto tão confortável a tocar. Por essa razão, na ótica do trompetista, é uma obra bastante virtuosistica, que requer uma excelente flexibilidade entre os demais registos, requer um bom controle rítmico e um bom balanço. Já cheguei mesmo a ouvir o comentário “escreveste uma peça que só tu consegues tocar (risos)”.
Gostarias de ver alguém em especial a interpretar a obra?
Bem, não tenho preferência de nenhum músico em particular. Há imensos trompetistas que neste momento não são efetivos em qualquer orquestra e tenho a certeza que fariam uma excelente performance. Tenho no entanto algumas encomendas de músicos de orquestra. Logicamente gostaria de os ver tocar a minha obra. Seria para mim um motivo de orgulho que esses músicos experientes podessem divulgar, partilhar e proporcionar uma interpretação distinta da obra conferindo-lhe o seu cunho pessoal.
Como foi esse processo de publicação da obra?
Para mim, todo este processo foi um mundo desconhecido pois envolvia várias questões burocráticas das quais eu não tinha conhecimento. Após o meu recital, houve um longo período de revisão. E a cada revisão feita, novas imprecisões eram encontradas. Houve uma tentativa de registo na sociedade portuguesa de autores que foi revogada.
Enviei a obra para uma editora portuguesa de partituras musicais e não obtive qualquer resposta. Isto levou me a uma situação de desânimo perante a continuidade do processo em questão. Havia pessoas interessadas na compra da partitura que me davam uma crítica positiva. Logicamente que eu recusava vender o que quer que fosse uma vez que continuava à espera de uma resposta da editora para o qual enviei a peça. Não vendo soluções para o problema, após ter feito o registo no IGAC, avancei eu mesmo com uma edição de autor.

Poderá adquirir a obra enviando um email para: joao_milheiro_trompete@hotmail.com

LEIA MAIS:

AMCP vai trazer Banda da Armada no âmbitos das comemorações dos 30 anos

 

TAGGED:João Milheirojornal digital PaivenseMusicalObraTrompetista
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