Castelo de Paiva, Portugal – Os portões da Escola Secundária de Castelo de Paiva e da vizinha EB 2,3 fecharam-se mais cedo nesta sexta-feira. Em vez das habituais aulas, centenas de alunos viram-se obrigados a regressar a casa a meio do dia. O motivo? Uma adesão expressiva à greve nacional dos funcionários não docentes que paralisou por completo o normal funcionamento destes estabelecimentos de ensino no concelho.
Convocada pela Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (FESINAP), esta ação de protesto não se limita ao ensino básico e secundário regular. O protesto estende-se a trabalhadores de creches, instituições ligadas ao apoio familiar e misericórdias de todo o país. Contudo, em Castelo de Paiva, a paragem fez-se sentir com especial força, deitando por terra o dia de trabalho e de aulas programado para este Agrupamento de Escolas.
Sem o pessoal de apoio indispensável, os serviços mínimos — que muitas vezes se limitam à segurança elementar e à limpeza — tornaram-se impraticáveis. E sem assistentes operacionais para garantir a vigilância dos recreios ou o funcionamento do refeitório, a direção das escolas não teve outra alternativa senão suspender as atividades letivas e pedir aos pais que recolhessem os filhos mais cedo.
A luta pela carreira de auxiliar
No centro desta paralisação que ecoa de norte a sul do país reside um descontentamento antigo e profundo. Os funcionários exigem a urgente reposição da carreira específica de auxiliar de ação educativa, um estatuto que consideram crucial para devolver a dignidade à função que desempenham diariamente no apoio a alunos, professores e encarregados de educação. Argumentam que a estrutura salarial atual não reflete as responsabilidades acrescidas nem as exigências de um quotidiano escolar cada vez mais complexo.
Estes profissionais constituem a verdadeira espinha dorsal do ecossistema educativo — e, sem o seu contributo diário, a normalidade das aulas fica comprometida. Daí a insistência junto das instâncias de decisão por uma revisão imediata das tabelas remuneratórias e de carreira de forma a aproximá-las da realidade do trabalho exigido pelas exigências da atualidade.
Embora o impacto tenha sido gritante nas salas de aula de Castelo de Paiva, os efeitos do protesto espalham-se por diversas regiões de Portugal, condicionando o funcionamento de dezenas de estabelecimentos consoante a mobilização local. Trata-se de um forte sinal enviado ao Executivo. Agora, com as escolas vazias e as famílias a adaptarem-se à pressa a um dia letivo interrompido, os sindicatos esperam que a mensagem ganhe força suficiente em Lisboa para forçar uma abertura negocial real que mude o rumo do setor.


