O mercado de habitação em Castelo de Paiva está a viver uma fase de enorme dinamismo, impulsionado pelo forte interesse de compradores internacionais, com especial destaque para os investidores vindos do Brasil. Para compreender este impacto na nossa economia local, o Jornal Paivense conversou com Adriana de Abreu Rodrigues, a premiada consultora da Remax que se destaca como uma das vozes mais experientes do setor imobiliário no norte do país.
Recentemente galardoada como a melhor angariadora da região de Amarante, o que a consagra como uma das maiores especialistas na captação de imóveis, Adriana explica nesta entrevista exclusiva quais são as vantagens e os caminhos seguros para quem quer investir em solo nacional.
A transição para o mercado imobiliário
Jornal Paivense: Sendo brasileira, o que a motivou a entrar no mercado imobiliário em Portugal e o que encontrou de mais surpreendente neste percurso?
Adriana de Abreu Rodrigues: Foi uma mudança totalmente inesperada. Eu nunca tinha planeado trabalhar no setor imobiliário. Quando visitei Portugal em 2020 para ver a minha família, conheci de perto o trabalho da Remax, na mesma altura em que o meu marido analisava alguns ativos pessoais. Depois de me mudar em definitivo, o meu irmão sugeriu que eu falasse com o responsável de uma agência local e decidi aceitar o desafio. O início foi bastante exigente porque as regras, as leis e os documentos são muito diferentes do Brasil. Dediquei muito tempo a cursos de formação para me preparar adequadamente. A minha experiência anterior na área das vendas foi um pilar essencial. Com paciência, resiliência e persistência, consegui vencer os obstáculos e crescer neste mercado de forma gradual.
As vantagens de investir em Portugal
Jornal Paivense: Para quem está no Brasil hoje, qual é a principal vantagem de investir em imóveis em Portugal se compararmos com o mercado brasileiro?
Adriana de Abreu Rodrigues: A segurança cambial é o principal fator de atração. Em Portugal, o património fica registado em euros, que é uma moeda forte e muito estável, ao passo que no Brasil fica sujeito às flutuações do real. Trata-se de uma excelente estratégia de diversificação geográfica para quem quer proteger o seu dinheiro contra a desvalorização da moeda brasileira. Há também a estabilidade das leis e um menor risco político e económico. Além disso, Portugal tem demonstrado uma valorização imobiliária constante devido à forte procura de novos residentes que escolhem o país para se estabelecerem.
O caminho para o investidor estrangeiro
Jornal Paivense: Muitas pessoas ainda acham que investir no estrangeiro é um processo complexo. Na prática, quais são os primeiros passos para um investidor brasileiro começar?
Adriana de Abreu Rodrigues: É um processo muito mais simples e transparente do que as pessoas julgam. O essencial é contar com o apoio de uma equipa de mediação que seja de total confiança. O primeiro passo prático é obter o NIF, que funciona como o documento de identificação fiscal aqui em Portugal. Sem o NIF, ninguém consegue abrir contas bancárias ou assinar qualquer contrato de promessa de compra e venda. Esse passo pode ser feito de forma digital através de um procurador ou representante legal, e nós prestamos todo o apoio com advogados parceiros para tratar de tudo sem complicações.
O perfil ideal e o orçamento de partida
Jornal Paivense: Existe um perfil de investidor ideal ou há oportunidades para orçamentos mais reduzidos?
Adriana de Abreu Rodrigues: Há espaço para diferentes investidores, mas o perfil que costuma obter melhores resultados é aquele que dispõe de um capital de partida a rondar os 120 mil a 200 mil euros. São pessoas que procuram segurança e proteção de património a longo prazo, muitas vezes a pensar num plano B para o futuro da família. Para quem tem orçamentos mais baixos, também é possível investir, mas a estratégia muda. Nesse caso, o caminho é procurar oportunidades em cidades com elevado potencial de crescimento que fiquem fora dos grandes centros.
O fenómeno de Castelo de Paiva
Jornal Paivense: Castelo de Paiva e as freguesias vizinhas estão a ganhar muito destaque. Por que razão a procura está a crescer fora das grandes cidades?
Adriana de Abreu Rodrigues: Portugal é um país muito compacto e existem excelentes localizações a menos de uma hora de viagem do Porto ou de Braga onde os preços são muito mais convidativos. As famílias procuram qualidade de vida, segurança e querem fugir da confusão dos grandes centros urbanos. É por isso que concelhos como Castelo de Paiva, Santa Maria da Feira, Marco de Canaveses, Amarante ou Guimarães estão a registar uma procura sem precedentes.
Em Castelo de Paiva, por exemplo, a freguesia de Bairros passou a ser uma autêntica elite regional. Já quase não existem terrenos para construir e as moradias de tipologia T3 com áreas generosas de 350 metros quadrados chegam a atingir os 650 mil euros. Na zona da Ladroeira, em Bairros, tenho uma casa em fase de acabamentos por 350 mil euros que só estará concluída dentro de seis meses e já conta com três investidores brasileiros em lista de espera.
Rentabilidade e conselhos de mercado
Jornal Paivense: Além da habitação própria, existem outras formas de rentabilizar este capital?
Adriana de Abreu Rodrigues: Sem dúvida. Muitos investidores procuram viver dos rendimentos obtidos através do arrendamento dos imóveis. Outra excelente alternativa é a aquisição de edifícios antigos para reabilitação total. É possível comprar propriedades rústicas a preços muito baixos e transformá-las por completo com uma boa remodelação. Nós também ajudamos nessa vertente, indicando construtores locais de confiança para que o cliente tenha total segurança na obra.
Jornal Paivense: Qual é o conselho mais valioso que pode dar a quem está a pensar investir no nosso mercado neste momento?
Adriana de Abreu Rodrigues: O meu conselho mais sincero é que encarem o mercado português como uma ferramenta de proteção e diversificação patrimonial, e não como uma via para enriquecer de forma rápida. O imobiliário em Portugal continua muito forte e em constante valorização, mas o investidor deve agir sempre com pés assentes na terra e com o apoio de quem conhece a fundo a realidade jurídica e comercial do país. É essa tranquilidade e segurança que nós oferecemos em cada negócio para garantir a felicidade dos nossos clientes.


