A recente crise no abastecimento de água que afetou o concelho de Almada, na Margem Sul do Tejo, reabriu o debate nacional sobre a gestão dos recursos hídricos e a aplicação dos fundos estruturais em Portugal. No concelho de Castelo de Paiva, a situação vivida na Área Metropolitana de Lisboa serve de ponto de partida para analisar as carências infraestruturais que ainda persistem em várias localidades locais, com destaque para a freguesia de Bairros, onde a ausência de rede pública de esgotos e o custo da fatura da água continuam na ordem do dia.
Em Almada, a quebra nas reservas municipais forçou a autarquia a implementar cortes noturnos e restrições severas. O episódio motivou críticas por parte do Governo e da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, que apontaram a falta de investimento na reabilitação de uma rede que perde perto de quarenta por cento da água em fugas, questionando a eficácia da aplicação das verbas europeias destinadas ao ciclo da água.
Esta realidade encontra paralelo nas preocupações manifestadas por residentes e forças políticas de Castelo de Paiva. Apesar do acesso generalizado a fundos comunitários através de programas como o Norte 2030 ou o Plano de Recuperação e Resiliência, o fecho das redes de saneamento em baixa permanece inacabado. Em Bairros e noutras zonas periféricas do concelho, dezenas de habitações continuam sem ligação à rede de esgotos, dependendo exclusivamente de fossas séticas individuais.
Moradores da região têm manifestado descontentamento não apenas pela falta do serviço essencial, mas também pelo impacto financeiro que a gestão da água representa no orçamento familiar. Segundo os relatórios de regulação do setor, a dispersão geográfica do concelho eleva os custos de manutenção das redes, refletindo-se em tarifas que se revelam elevadas quando comparadas com o poder aquisitivo médio da população local. Os munícipes apontam que, mesmo nas zonas sem cobertura de saneamento, os encargos fixos associados à fatura da água têm registado agravamentos sucessivos.
A articulação entre a Câmara Municipal de Castelo de Paiva e as entidades concessionárias em alta tem sido apontada como um dos fatores para o impasse nas obras de expansão. O executivo municipal tem vindo a público reivindicar junto dos operadores a execução de investimentos considerados prioritários para desbloquear a construção de novos coletores e estações elevatórias nas freguesias afetadas.
A situação em Castelo de Paiva demonstra que a coesão territorial e a sustentabilidade ambiental continuam dependentes da conclusão de obras estruturais subterrâneas. Enquanto os planos de alargamento da rede não saem do papel, a população de freguesias como Bairros aguarda por soluções que garantam a igualdade de acesso aos serviços básicos e a justa proporcionalidade dos custos tarifários.


