Vila Nova de Gaia, Portugal – Cerca de 1,8 milhões de habitantes da região do Grande Porto vão beneficiar diretamente de uma profunda renovação no sistema de abastecimento de água em alta. A Águas do Douro e Paiva decidiu avançar com um investimento de 600 mil euros destinado à reabilitação urgente do Reservatório de Lagoa, localizado em Vila Nova de Gaia. Esta estrutura, considerada uma peça fundamental na engrenagem de distribuição hídrica local, começa agora a receber os trabalhos de modernização necessários para assegurar que o recurso chega sem falhas a milhares de torneiras todos os dias.
Por este ponto fulcral passam diariamente cerca de 79 mil metros cúbicos de água, um volume que representa sensivelmente 30,5% de toda a produção gerada na Estação de Tratamento de Água de Lever. É um caudal imenso, cuja gestão exige uma precisão absoluta. O reservatório faz parte do chamado subsistema Lever Sul, mas o seu papel vai muito além dessa área geográfica. Através da adutora gravítica Lagoa-Jovim, a estrutura estabelece uma ponte direta com o subsistema Lever Norte, permitindo alimentar também os depósitos de Jovim e de Seixo Alvo. Esta interligação funciona como uma rede de segurança operacional indispensável, conferindo ao sistema uma flexibilidade que evita interrupções no fornecimento mesmo em cenários de maior pressão ou de avaria noutros pontos.
Uma estrutura com mais de duas décadas de serviço contínuo
O Reservatório de Lagoa conta já com sensivelmente 23 anos de atividade ininterrupta. Ao longo deste período, e com uma capacidade de armazenamento que atinge os 35 mil metros cúbicos, a infraestrutura começou a evidenciar as marcas naturais do tempo e do desgaste físico. A degradação acumulada motivou a calendarização desta obra, que surge como resultado de um acompanhamento rigoroso e de vistorias periódicas realizadas pela empresa pública. O objetivo primordial passa por estender a longevidade da instalação e salvaguardar a eficácia das suas funções estruturais antes que surjam problemas de maior gravidade.
Para a administração da Águas do Douro e Paiva, o plano de intervenção espelha uma estratégia assente na sustentabilidade a longo prazo. O presidente do conselho de administração da entidade, Bruno Coimbra, salienta que esta decisão reflete uma política de gestão patrimonial preventiva e rigorosa. Na ótica do responsável, a intervenção neste reservatório chave, por onde circula uma fatia tão expressiva da água que a empresa distribui, permite não só consolidar a fiabilidade de toda a rede atual, como também antecipar e preparar a resposta do Grande Porto perante os desafios climáticos e populacionais que se avizinham nos próximos anos.
Os detalhes técnicos da intervenção no terreno
No terreno, os trabalhos adjudicados englobam uma série de operações técnicas complexas. Os operários vão proceder à limpeza profunda de toda a estrutura, bem como à reabilitação geral dos elementos de betão armado que apresentem sinais de fadiga ou desgaste estrutural. A empreitada inclui ainda a reparação das juntas de dilatação, a correção de vãos e intervenções cirúrgicas na cobertura exterior do reservatório. Um dos grandes ganhos ambientais e económicos desta obra será a eliminação total das pequenas perdas de água que tinham sido previamente diagnosticadas durante os testes e auditorias técnicas à instalação. Ao estancar estas fugas, a empresa otimiza o rendimento hídrico global e reduz o desperdício de um recurso cada vez mais escasso.
Este esforço financeiro e técnico enquadra-se num programa contínuo de valorização de infraestruturas que a Águas do Douro e Paiva tem em curso. Com a reabilitação do Reservatório de Lagoa, o operador público de abastecimento de água pretende consolidar os seus padrões de eficiência hídrica, garantindo aos municípios e aos cidadãos finais um serviço seguro, regular e de qualidade superior.


