A transição das crianças das creches para o ensino pré escolar está a gerar uma onda de forte indignação e preocupação entre os encarregados de educação em Castelo de Paiva. Relatos de vários moradores apontam para uma situação inédita no concelho onde os critérios de prioridade para a colocação dos alunos estão alegadamente a ser ignorados pelas autoridades deixando dezenas de famílias numa situação logística insustentável.
O desrespeito pelos critérios de prioridade e a separação de irmãos
O processo de inscrição na rede pública exige que as famílias indiquem de forma obrigatória quatro estabelecimentos de ensino por ordem de preferência. Em anos anteriores as vagas eram garantidas na primeira ou no máximo na segunda opção salvaguardando a estabilidade familiar. Contudo este ano os encarregados de educação queixam se de que os alunos estão a ser empurrados para a terceira e quarta opções de escolha.
O problema ganha contornos mais graves nos casos em que existem irmãos a frequentar o mesmo agrupamento de escolas. Um dos critérios centrais da plataforma de matrículas serve precisamente para facilitar a organização dos pais permitindo que deixem os filhos no mesmo estabelecimento. Atualmente existem relatos de famílias que viram a vaga recusada na escola onde já estuda o filho mais velho de 7 anos sob a justificação de que as turmas estão completas mesmo tratando se de uma escola de grande dimensão e com várias salas de pré escolar ativas.
Esta distribuição força os pais a realizarem deslocações para estabelecimentos de ensino diferentes exatamente no mesmo horário o que se torna logisticamente inviável e retira qualquer sentido prático à rotina familiar quotidiana.
Encarregados de educação ponderam deixar crianças fora do jardim de infância
A gravidade do cenário e a falta de respostas concretas por parte das secretarias dos agrupamentos estão a empurrar os moradores para decisões drásticas. Perante a perspetiva de trajetos diários impossíveis de conciliar com os horários de trabalho há já pais a afirmar publicamente que não vão colocar os filhos no ensino pré escolar este ano caso as colocações não sejam revistas.
Esta decisão extrema coloca em risco o desenvolvimento pedagógico e social dos menores numa etapa considerada crucial para a infância. Os moradores exigem agora uma auditoria urgente ao sistema de vagas e uma intervenção firme dos responsáveis pelo setor educativo do concelho para solucionar o problema antes do início do ano letivo sob a pena de deixar crianças fora do sistema de ensino por falhas de gestão pública.


