Castelo de Paiva, Portugal – O concelho de Castelo de Paiva, situado na zona norte do distrito de Aveiro, viu hoje o início formal de um projeto estruturante para a região. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, acompanhado pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, deslocou-se ao terreno para assinar o auto de consignação da variante à EN 222. Esta empreitada, ansiosamente aguardada pela população e pelos agentes económicos locais, estabelece uma ligação direta e célere entre a Zona Industrial das Lavagueiras, em Pedorido, e o nó de Canedo, na autoestrada A32.
A cerimónia oficial, que marcou o início dos trabalhos, contou com a presença de diversos membros do executivo governamental, bem como dos representantes autárquicos de Castelo de Paiva, Santa Maria da Feira e Gondomar. A nova via rodoviária, desenhada para superar os constrangimentos de acessibilidade que têm condicionado o território, surge como um pilar fundamental para integrar o município nas principais redes de circulação do país, facilitando o transporte de mercadorias e a mobilidade de pessoas.
O projeto, adjudicado à construtora DST por um valor de 70,2 milhões de euros — um montante consideravelmente abaixo do preço base inicialmente estipulado em concurso público — abrange uma extensão de aproximadamente 10 quilómetros. O traçado atravessa o território das freguesias de Pedorido, em Castelo de Paiva, Lomba, no município de Gondomar, e termina na zona de Canedo, em Santa Maria da Feira. O cronograma previsto para a execução da obra é de 900 dias, período após o qual se espera que a dinâmica económica da região ganhe uma nova vitalidade.
De acordo com os detalhes técnicos avançados pela Infraestruturas de Portugal, a solução viária será composta por uma via em cada sentido, incluindo vias para veículos lentos em cerca de metade da extensão total do troço. Para garantir a articulação com a rede existente, estão projetadas seis rotundas e dois entroncamentos. A complexidade da obra exige ainda a construção de estruturas especiais, nomeadamente três viadutos — designados como Vale da Cova, Labrecos e Serrinha —, duas pontes sobre o rio Inha e o Ribeiro do Portal, e duas passagens superiores para assegurar a fluidez e a segurança do tráfego.
Para o presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva, o momento é de inegável relevo histórico, encerrando um ciclo de reivindicações que remonta a mais de 30 anos. Ricardo Cardoso recordou que esta ambição ganhou uma urgência redobrada após o encerramento das Minas do Pejão, em dezembro de 1994, altura em que a necessidade de reinventar o concelho se tornou imperativa. O autarca sublinhou que, embora uma estrada não resolva por si só todas as debilidades de um território, esta infraestrutura é o catalisador necessário para atrair investimento empresarial, dinamizar a zona industrial, fomentar a construção de habitação e, fundamentalmente, fixar a população.
No seu discurso, o primeiro-ministro Luís Montenegro destacou que o investimento de 70 milhões de euros é uma aposta estratégica na coesão territorial. O chefe do Governo realçou que a nova variante não servirá apenas para reduzir os tempos de percurso, mas atuará como um fator de competitividade internacional. Ao aproximar o tecido empresarial de Castelo de Paiva dos principais eixos de transporte, o Estado pretende criar condições para que a região se afirme como um polo de atração de capital, gerador de emprego e de riqueza sustentada.
A concretização desta obra, que coloca um ponto final em décadas de espera, é vista pelo executivo como um passo essencial para garantir que zonas do interior do distrito possam competir em pé de igualdade com os grandes centros urbanos. A melhoria das condições de segurança rodoviária foi igualmente apontada como um benefício direto, eliminando o isolamento que, historicamente, penalizou o desenvolvimento do município paivense. Com o início dos trabalhos, a região prepara-se para uma transformação profunda na sua logística, esperando-se que o impacto desta nova via se reflita, a médio prazo, num aumento da qualidade de vida dos residentes e num reforço da atratividade económica de todo o território que a estrada agora interliga.










