A pergunta tem gerado uma enorme confusão entre os condutores e os agentes do mercado automóvel nos últimos anos. Em 2023 a União Europeia chocou a indústria ao anunciar a proibição total da venda de carros novos a gasolina e a gasóleo a partir de 2035. Contudo o cenário político e económico mudou drasticamente e a resposta exata à questão hoje é bastante diferente: não, o fabrico de viaturas a combustão não vai parar de forma absoluta.
O que inicialmente foi desenhado como um bloqueio total transformou se recentemente num processo muito mais flexível. Compreender as exceções e as novas regras de Bruxelas é fundamental para perceber o que realmente vai acontecer nas fábricas de automóveis na próxima década.
O recuo de Bruxelas e a meta dos 90 por cento
No final do ano de 2025 a Comissão Europeia cedeu à forte pressão da indústria e de países como a Alemanha e a Itália. A crise no setor evidenciada pelo anúncio de encerramento de fábricas de gigantes como a Volkswagen obrigou a União Europeia a adotar uma postura mais pragmática.
A regra que exigia zero emissões para a totalidade dos carros novos vendidos em 2035 foi oficialmente atenuada. Agora a exigência passou para uma redução de 90 por cento nas emissões de escape. Esta alteração crucial garante que uma fatia da produção de veículos nas fábricas europeias continuará a estar reservada a motores de combustão interna e soluções híbridas desde que o impacto ambiental seja compensado.
A salvação pelos combustíveis sintéticos
Para além da margem dos 10 por cento permitida pela nova legislação os motores tradicionais ganharam uma segunda oportunidade vital através da tecnologia. A União Europeia abriu uma exceção oficial para os veículos movidos exclusivamente a combustíveis sintéticos.
Estes combustíveis são criados em laboratório e possuem um ciclo neutro de carbono. Se a indústria automóvel conseguir escalar a produção desta alternativa e torná la comercialmente viável as linhas de montagem poderão continuar a produzir motores a combustão por tempo indeterminado garantindo que o ronco dos motores tradicionais não desapareça dos catálogos das marcas.
O mercado de exportação global
É importante sublinhar que a legislação europeia apenas dita as regras de comercialização dentro das fronteiras da União Europeia. O resto do mundo caminha a ritmos muito diferentes no que diz respeito à transição energética.
As grandes fábricas instaladas na Europa ou noutros continentes poderão continuar a produzir viaturas a gasóleo e a gasolina em larga escala para exportar para mercados onde essa proibição não existe como a América Latina diversas regiões de África e partes da Ásia. O motor de combustão interna continuará a ser uma realidade global de fabrico durante as próximas décadas.
O que muda para o consumidor atual
Para quem já possui um carro a gasóleo ou a gasolina ou planeia comprar um veículo usado nos próximos anos a mensagem das autoridades europeias é de total tranquilidade. A proibição de 2035 sempre teve como alvo exclusivo as primeiras matrículas de viaturas novas.
Os carros a combustão comprados antes dessa data poderão continuar a circular livremente até ao fim da sua vida útil. O mercado de automóveis em segunda mão continuará a operar sem qualquer impedimento e a rede de postos de abastecimento manterá o fornecimento tradicional de combustíveis fósseis para garantir a locomoção da frota antiga em circulação.


