Logo paivense
Logo paivense

Centeno admite. Não houve uma “drástica” viragem da austeridade

Manuel de Almeida / Lusa

O ministro das Finanças, Mário Centeno

Numa reportagem do Financial Times, o ministro da Economia, Mário Centeno, admite que não houve uma “drástica” reversão na austeridade durante a governação liderada pelo PS e apoiada pelos partidos de esquerda.

“O próprio Centeno admite que o grau em que o PS reverteu a austeridade não é drástico”, escreve esta quarta-feira o diário britânico num artigo que aborda o modelo de governação levado a cabo pelo PS com o apoio do BE e do PCP.

O ministro da Economia afirma que o Governo fez “mudanças” durante a legislatura, mas estas “não foram grandes mudanças” relativamente ao que estava a ser feito pelo anterior Executivo (PSD/CDS), liderado por Pedro Passos Coelho.

“Era preciso fazer uma mudança, mas não uma mudança grande“, afirmou Mário Centeno, dando conta que no final de 2015, quando tomou posse, o crescimento da Economia portuguesa era “muito pobre” e “estava a desacelerar”.

“Tinha de ser implementada uma mudança, [mas] não uma grande mudança”, sustenta, dizendo ser “muito desconfiado dos visionários que pensam que sabem lidar com grandes máquinas (…) Eu temo as grandes máquinas”, acrescentou Centeno.

O também presidente do Eurogrupo considera que pequenas mudanças na política foram suficientes para restaurar a confiança dos agentes económicos e aumentar o crescimento.

“O truque foi haver um compromisso com um caminho e mantê-lo”, disse ao Financial Times, referindo que a consequência foi um “aumento tremendo da confiança e da atividade económica” no início do segundo semestre de 2016. No mesmo artigo, o ministro da Economia atribuiu a redução do défice para lá do esperado à redução dos encargos com os juros da dívida portuguesa.

O primeiro-ministro é também citado na peça, frisando o ceticismo que encontrou face às políticas económicas que o seu Governo pretendia implementar. “As pessoas estavam altamente céticas em relação às nossas políticas económicas, mas conseguimos mostrar que é possível aumentar os rendimentos, subir o investimento privado, diminuir o desemprego e ainda assim ter finanças públicas sãs”, frisou António Costa.

Quanto ao futuro das contas públicas, e tendo em conta às pressões de vários grupos sociais, António Costa diz que “é normal que depois de um período de grande pressão toda a gente queira tudo agora”. “Um bom Governo tem de lidar com as necessidades sociais, com a capacidade orçamental e as prioridades políticas [que tem]”, sustentou.

Fonte: ZAP