Logo paivense
Logo paivense

Centros comerciais querem abrir às 8h. Comércio de rua não concorda com medida

martinrp / Flickr

Abrir as lojas às 8 horas é uma das medidas defendidas pelos centros comerciais para recuperar as perdas que vão ter nos dois próximos fins de semana. Contudo, no comércio de proximidade, a medida não reúne adeptos.

Durante os dois próximos fins de semana de novembro, os portugueses devem “aproveitar as manhãs livres para fazer as suas compras”, disse António Costa, depois de ter anunciado que a partir das 13h a população deve recolher-se em casa nos concelhos com elevado risco.

Porém, esta medida tem causado alguma contestação sobretudo nos setores do comércio e da restauração. Neste sentido, já estão a ser iniciadas propostas para diminuir as perdas que se avizinham.

Segundo o Jornal de Negócios, a Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC) e a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) estão unidas no objetivo de antecipar a abertura das lojas.

Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da APED, revela: “estamos a pensar em soluções, nomeadamente nos centros comerciais, que passam por abrir as lojas mais cedo, às oito horas, de forma a dar uma margem maior aos clientes e aos lojistas”.

António Sampaio de Matos, presidente da APCC, concorda com esta medida. “Para minimizar as aglomerações e, simultaneamente, minimizar ligeiramente o impacto económico da medida, pensamos que a antecipação da hora de abertura dos centros comerciais, por exemplo, para as 8h da manhã, seria uma medida a implementar nos dois próximos fins de semana”, realça.

A antecipação do horário de abertura precisa da autorização dos autarcas dos respetivos municípios. Gonçalo Lobo Xavier acredita que esta condição não deverá ser um problema, pois “alguns espaços já estão a abrir às 8h30 ou às 9h”, na sequência dessas mesmas autorizações dos autarcas.

Ainda assim, e apesar de ajudar a mitigar o impacto do recolher obrigatório aos fins de semana, a abertura antecipada deverá trazer dores de cabeça ao comércio. “Vai obrigar a uma logística e a uma gestão de recursos humanos bastante complexa”, reconhece o diretor-geral da APED.

Esta solução não colhe a simpatia generalizada do setor, sobretudo no que diz respeito ao comércio de rua. “As pessoas não vão comprar roupa ou sapatos nas lojas de rua de manhã cedo. O comércio mais tradicional não vai chamar mais clientes pelo facto de abrir mais cedo”, disse Lourdes Fonseca, presidente da União de Associações de Comércio e Serviços de Lisboa (UACS), ao Jornal de Negócios.

Miguel Pina Martins, presidente da Associação de Marcas de Restauração e Retalho, também duvida da eficácia da abertura antecipada das lojas. “Não sei se abrir mais cedo vai resultar. Não creio que as pessoas vão querer fazer compras às oito da manhã”, considera em declarações ao jornal.

O recolhimento obrigatório aos fins de semana depois das 13h chega poucos dias depois do lançamento de uma campanha conjunta do Governo e de várias associações de comércio, que pretendia apelar aos consumidores para “não deixarem as compras de Natal para a última hora”, nas palavras do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira.


Fonte: ZAP