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CiênciaCoronavírus

Descoberto o “calcanhar de Aquiles” dos coronavírus

Last updated: 16 Setembro, 2020 9:00
Redação
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NIAID / Flickr

Uma equipa de cientistas da Escola Superior de Economia, na Rússia, afirma que tanto o SARS-CoV-2 como outros coronavírus possuem a capacidade de “atrair” um mecanismo pelo qual as células do hospedeiro impedem a replicação viral.

As moléculas conhecidas como miARN hsa-miR-21-3p podem ser o calcanhar de Aquiles da covid-19, uma vez que poderiam ser capazes de reprimir a replicação do coronavírus humano, inibindo o crescimento nos primeiros estágios da infecção e atrasando a imunidade ativa.

Ao analisar os sete tipos de coronavírus conhecidos que infetam os humanos, os autores do estudo comprovaram que seis deles, incluindo o responsável pela covid-19, mostram locais de união mútuos para miARN hsa-miR-21-3p e outro miARN chamado hsa-miR-421.

De acordo com o News Medical, quando o vírus entra na célula, começa a interagir ativamente com várias moléculas dentro da célula. Uma dessas classes de moléculas são os miARN, que são pequenos ARNs cuja função principal é regular a expressão dos genes. Quando um vírus entra, os miARNs começam a ligar-se a certas partes do ARN do seu genoma, o que leva à destruição dos ARNs do vírus.

Esse ataque pode interromper a replicação do vírus completamente. No entanto, nos casos em que os miARNs não são muito “agressivos”, as interações não destroem o vírus, mas retardam a sua replicação. Esse cenário é benéfico para o vírus, pois ajuda a evitar uma resposta imunológica rápida na célula.

Alguns dos vírus acumulam intencionalmente sítios de ligação de miARNs do hospedeiro. Isso torna-se a sua vantagem: os vírus com mais sítios de ligação sobrevivem e reproduzem-se melhor, o que leva à sua dominação evolutiva.

Para analisar o papel que desempenha após a entrada do coronavírus nas células humanas, os cientistas decidiram analisar o processo de infecção nos pulmões de ratos de laboratório, comprovando que, quando ocorre uma infecção, a produção de miARN aumenta em oito vezes, indicando que o vírus “promove” a união destas moléculas ao seu próprio ARN, afetando a sua multiplicação.

Agora, os cientistas pretendem analisar as possibilidades de um efeito medicinal sobre o vírus que é atraído aos miARN descobertos e analisar se a introdução ou eliminação artificial deste mecanismo pode prevenir a reprodução do vírus.

Este estudo foi publicado esta segunda-feira na revista científica PeerJ.


TAGGED:Ciência & SaúdeCoronavirusDestaqueMicrobiologiasaúde
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