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Home - Ciência - Finalmente, a Matemática desvendou quem escreveu “In My Life” dos Beatles

Ciência

Finalmente, a Matemática desvendou quem escreveu “In My Life” dos Beatles

Last updated: 13 de Agosto, 2018
Redação
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4 Min Read
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[youtube https://www.youtube.com/watch?v=pbm4-aqv_Lg?feature=oembed&w=700&h=394]

Mais de 50 anos depois da criação da música “In My Life”, um dos sucessos dos Beatles, a Matemática concluiu quem foi o autor da canção, depois de tanto John Lennon como Paul McCartney reclamarem a sua autoria.

“In My Life” é uma das músicas do álbum dos Beatles “Rubber Soul”, de 1965, que fala de memórias, mas cuja autoria sempre foi um mistério – precisamente, devido à divergência de memórias de John Lennon e de Paul McCartney que nunca se entenderam quanto ao verdadeiro autor da canção.

Em 1980, Lennon garantiu numa entrevista que tinha sido ele o autor da música, atribuindo a McCartney apenas uma parte da autoria da mesma, mas depois da sua morte, este último garantiu que tinha sido ele o criador de toda a canção.

O mistério foi finalmente desfeito numa investigação que envolveu o especialista de estatística Mark Glickman e o professor de engenharia Ryan Song da Universidade de Harvard, nos EUA, bem como o professor de Matemática Jason Brown, da Dalhousie University, no Canadá.

E não há dúvidas de que foi John Lennon o autor da música, conforme notaram os autores da pesquisa na apresentação que efectuaram na Joint Statistical Meetings, uma conferência realizada no Canadá que é um dos maiores eventos do mundo dedicado à estatística.

O matemático Keith Devlin, da Universidade de Stanford, nos EUA, relata à NPR como é que o mistério foi desfeito, contando que os investigadores criaram “sacos de palavras”, inspirando-se numa técnica usada “pelos cientistas de computadores que criaram os filtros de spam“.

Este método permite isolar “um bocado de texto” e contar “as frequências das diferentes palavras”, frisa Devlin, notando que os investigadores analisaram desta forma 70 canções dos Beatles, apontando “149 transições muito distintas de notas e de acordes que estão presentes em quase todas as músicas” da banda britânica.

Estas transições “são únicas de uma pessoa ou de outra”, atesta Devlin. E “quando se fazem as contas, contando os pequenos pedaços que são únicos para as pessoas, a probabilidade de McCartney ter escrito [a canção] é de .018 – isto é, essencialmente zero“, frisa o matemático na NPR.

A conclusão é “bastante definitiva” – “Lennon escreveu a música”, frisa Devlin.

“Em situações como esta, é melhor acreditar na Matemática porque é muito mais fiável do que as lembranças das pessoas, especialmente dado que colaboraram a escrevê-la nos anos 1960, com um estado mental incrivelmente alterado devido a todas as coisas que andavam a ingerir”, sublinha ainda o matemático.

E apesar de Lennon e McCartney terem trabalhado juntos durante tantos anos e de poderem ter assimilado algumas das “manias” do outro, “continuam a ser as mesmas pessoas, e têm as suas preferências sem perceberem”, sustenta Devlin.

“O Lennon usava um certo tipo de coisas uma e outra vez. E o McCartney também”, e era essa junção das partes que funcionava nos Beatles, mas ainda assim “eram pequenos pedaços separados“, constata Keith Devlin. “A matemática isola esses pequenos pedaços que são únicos nas duas pessoas”, conclui.

TAGGED:BeatlesCiência & SaúdeDestaqueInvestigaçãoMatemáticamúsicaVida & Lazer
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