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Home - Ambiente - O glaciar “pai” do icebergue que afundou o Titanic está a crescer outra vez

AmbienteCiênciaClima

O glaciar “pai” do icebergue que afundou o Titanic está a crescer outra vez

Last updated: 27 de Março, 2019
Redação
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4 Min Read
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twiga269 ॐ FEMEN / Flickr

Embora esteja a derreter há 20 anos, o glaciar Jakobshavn, no oeste da Gronelândia – famoso por produzir o icebergue que afundou o Titanic – começou a crescer novamente.

Desde os anos 1980, as águas estão cada vez mais quentes em redor da baía de Baffin, local onde o glaciar se encontra. Mas, dados recentes da NASA revelam que, em 2016, a corrente oceânica ficou mais fria. Como resultado, o gelo do glaciar Jakobshavn tem-se tornado mais espesso, fluindo mais lentamente e crescendo em direção ao oceano.

As águas ao redor da foz do glaciar – também conhecidas como Sermeq Kujalleq em gronelandês – são agora as mais frias desde a década de 1980. “No começo, não acreditávamos”, disse o glaciologista Ala Khazendar, da NASA. “Presumimos que Jakobshavn continuaria como nos últimos 20 anos.”

Mas nos últimos três anos, a água fria continuou a chegar, de acordo com dados da missão Oceans Melting Greenland (OMG) da NASA e outras fontes. Num novo artigo publicado na revista Nature Geoscience, Khazendar e a sua equipa identificaram a causa – e é apenas temporária.

A equipa traçou a corrente usando observações e um sistema de modelagem oceânica desenvolvido pela NASA para preencher as lacunas nos dados.

O arrefecimento começou no Oceano Atlântico Norte, a 966 quilómetros ao sul do glaciar, desencadeado por um padrão climático chamado Oscilação do Atlântico Norte (NAO): a cada cinco a 20 anos, a pressão atmosférica no nível do mar oscila, resultando em aquecimento ou arrefecimento, que é levado para o norte pelas correntes oceânicas na costa sudoeste da Gronelândia.

Em 2016, a água nesta corrente estava 1,5ºC mais fria, arrefecendo o Atlântico em torno da Gronelândia em cerca de 1ºC. Isto chegou ao Jakobshavn, permitindo que o gelo engrossasse. “Não achávamos que o oceano pudesse ser tão importante”, disse o investigador principal do OMG, Josh Willis, ao National Geographic.

Mas, inevitavelmente, o pêndulo vai balançar de volta e o glaciar vai encolher novamente. Enquanto isso, o resto da camada de gelo da Gronelândia ainda está a recuar. Mesmo que esse leve crescimento continuasse, não poderia compensar as intensas perdas experimentadas até agora.

Alguns dos mais antigos e grossos blocos de gelo do Ártico quebraram no ano passado – a primeira vez que este fenómeno foi registado. Isto aconteceu duas vezes. Mais da metade do gelo permanente do Ártico derreteu e o derretimento do gelo e da neve revelou paisagens árticas escondidas por 40.000 anos.

De facto, de acordo com um relatório da ONU do ano passado, passámos do ponto sem retorno. O dano já foi feito, o Ártico está a aquecer e não há nada que se possa fazer para parar o processo.

Jakobshavn tem estado a derreter desde o início dos anos 2000, quando perdeu a sua plataforma de gelo. Esta plataforma flutuante de gelo diminui o fluxo de um glaciar. Quando o Jakobshavn partiu, o fluxo aumentou. Desde então, o derretimento está a acelerar e a frente do glaciar a recuar do oceano. Entre 2013 e 2016, perdeu 152 metros de espessura.

“Jakobshavn está a ter uma rutura temporária com este padrão climático. Mas, no longo prazo, os oceanos estão a aquecer. Ver os oceanos ter um impacto tão grande nos glaciares é uma má notícia para a camada de gelo da Gronelândia”, disse Willis.

Esta investigação demonstra que a recessão glacial não é uma tendência unidirecional, mas não mostra uma reversão da mudança climática.

TAGGED:AmbienteCiência & SaúdeclimaDestaqueGeologiaGronelândia
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