Ao usar este site, você concorda com o Política de Privacidade e o Termos de Uso.
Accept
De Castelo de Paiva para todo Portugal!De Castelo de Paiva para todo Portugal!De Castelo de Paiva para todo Portugal!
Font ResizerAa
  • Home
  • Regional
  • Nacional
  • Saúde
  • Outras Notícias
  • Estatuto Editorial
Reading: Alberto S. Santos: Sempre que a frase ficava “bonita demais”, eu perguntava: isto fere ou adormece?
Share
Font ResizerAa
De Castelo de Paiva para todo Portugal!De Castelo de Paiva para todo Portugal!
  • Castelo de Paiva
  • Cinfães
  • Economia
  • Mundo
  • Política
  • Regional
  • Sociedade
Pesquisar
  • Home
  • Regional
  • Nacional
  • Saúde
  • Outras Notícias
  • Estatuto Editorial
Follow US
© 2025 Paivense - Todos os direitos reservados. Registro ERC número 127076

Home - Cultura - Alberto S. Santos: Sempre que a frase ficava “bonita demais”, eu perguntava: isto fere ou adormece?

CulturaArte

Alberto S. Santos: Sempre que a frase ficava “bonita demais”, eu perguntava: isto fere ou adormece?

Entre o realismo documental e a poética da sobrevivência, o autor explica como a burocracia se tornou um instrumento de tortura e como o silêncio de personagens como Bernardo e Teresinha é, afinal, uma forma de resistência.

Last updated: 25 Março, 2026 18:25
Redação/Paivense
Share
Escritor Alberto S. Santos © Divulgação
SHARE

Nesta entrevista exclusiva, o escritor Alberto S. Santos revela os bastidores da sua investigação sobre o Hospital Colónia de Barbacena. Entre o realismo documental e a poética da sobrevivência, o autor explica como a burocracia se tornou um instrumento de tortura e como o silêncio de personagens como Bernardo e Teresinha é, afinal, uma forma de resistência.

A Poética da Contenção

Jornal: O seu novo livro aborda uma das maiores tragédias humanas do Brasil. Como é que se equilibra a dureza dos factos com a necessidade de criar uma narrativa literária?

Alberto S. Santos: Nunca parti da ideia de “embelezar” a história, mas de mostrar a vida a correr dentro do Hospital Colónia. O horror, quando é descrito de forma direta, pode saturar ou anestesiar o leitor. Por isso, a linguagem não pretende suavizar, mas antes abrir uma fresta por onde o leitor entra e assiste ao microcosmos daquelas personagens. Procurei a contenção: sempre que a frase começava a ficar “bonita demais”, eu perguntava-me: isto fere ou adormece? Se adormecia, saía. Se feria, ficava.

Jornal: No livro, os objetos parecem substituir a presença humana. Porquê dar esse protagonismo ao ferro, à cal ou ao vento?

Alberto S. Santos: Porque quando o humano abdica, os objetos ganham existência e passam a “comandar” a vida dos internos. Não é para deslocar a responsabilidade. É porque o ferro fecha, a cal apaga e o vento escuta, simplesmente porque já não há mais ninguém que o faça.

O Idioma do Silêncio

Jornal: O Bernardo é uma personagem marcada pelo silêncio. Foi difícil confiar que o leitor compreenderia alguém que quase não fala?

Alberto S. Santos: Foi o maior desafio: aceitar que o silêncio era uma espécie de linguagem e não apenas ausência. O Bernardo fala através de pequenos gestos — no amparo de um corpo ou no modo como está no lugar certo sem se notar. Isto exige confiar no leitor, deixar espaço para a sua reflexão. É uma espécie de coescrita. A relação dele com a Teresinha nasce nessa zona mínima, onde se reconhecem sem nome, apenas por intuição.

Jornal: O senhor refere-se a uma “gramática das grades”. É uma metáfora para a prisão?

Alberto S. Santos: É mais do que isso; pretende ser algo real, literal, quase um idioma de sobrevivência feito de ritmos, pausas e olhares. Bernardo aprende esse idioma para sobreviver, e o leitor é chamado a aprender com ele.

A Banalidade do Mal

Jornal: Surpreende a forma como descreve a burocracia e figuras como o Dr. Flores ou D. Amélia. Eles não são os “vilões” típicos?

Alberto S. Santos: Não são monstros no sentido clássico. São pessoas que aceitaram a lógica do sistema e convivem com ela como se fosse apenas mais uma tarefa do dia. Na minha investigação, o que mais me impressionou foi a rotina: carimbos e listas que parecem neutros, mas é aí que a desumanização se torna eficiente. A violência deixou de precisar de intenção individual para passar a ser um mero procedimento. Tentei escrever essa burocracia com um ritmo de repetição e frases que parecem não ter autor.

Jornal: A cidade de Barbacena é famosa pelas suas rosas. Como é que essa beleza coexiste com o horror do manicómio?

Alberto S. Santos: É um contraste histórico e factual. Os internos trabalhavam nos roseirais fora dos muros, pertencentes aos fazendeiros. Interessou-me esse jogo entre o que se mostra e o que se oculta: o perfume e o trabalho forçado; a flor de altar e o chão onde se gastam os corpos. As rosas participavam, de forma natural, nesse sistema de ocultação.

A Universalidade da Memória

Jornal: Joanésia, a terra natal de Teresinha, é o símbolo de uma ferida que não fecha?

Alberto S. Santos: Sim. A Teresinha Alvarenga existiu mesmo — era a avó da minha dentista. Embora tenha deslocado a origem no livro, mantive a essência. A Joanésia do romance pode ser qualquer margem da sociedade de onde alguém, sem qualquer doença mental, é empurrado para fora do mundo visível apenas porque alguém decidiu livrar-se dessa pessoa. O que aconteceu no Colónia não pertence apenas a Barbacena; pode repetir-se noutros tempos e lugares.

TAGGED:adormecealbertobonita demaisCastelo de PaivaCinfãesexclusivafrase ficavaisto ferenesta entrevistapaivenseperguntavaPortugalregiãosantossempre que
Share This Article
Email Copy Link Print
Previous Article Corpo encontrado no rio Douro junto ao Cais da Sardoura
Next Article Águas do Douro e Paiva atinge recorde histórico de receitas em 2025
Sem comentários

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Outras

ULS Entre Douro e Vouga e Município de Arouca reforçam parceria estratégica na área da saúde

Durante a reunião foram analisadas várias iniciativas de cooperação, com especial destaque para os investimentos estruturantes promovidos pelo Município na…

stethoscope in doctor hands
Unidade Local de Saúde de Entre Douro e Vouga abre concurso para 40 novos médicos especialistas

O processo visa reforçar o quadro clínico da instituição e assegurar a…

Musical Cristalina, a gota d’água anima a Semana da Leitura em Castelo de Paiva

A iniciativa partiu dos alunos das turmas do 6ºA e 6ºB, que decidiram dar vida…

- Advertisement -
Ad imageAd image
De Castelo de Paiva para todo Portugal!De Castelo de Paiva para todo Portugal!
© 2025 Paivense – Todos os direitos reservados. Registro ERC número 127076
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?