Rio de Janeiro (RJ) – O palco do LAV — Lisboa ao Vivo, que se preparava para acolher a irreverência de Oliver Tree no próximo dia 1 de julho, já não abrirá as portas ao músico norte-americano. A viagem do carismático artista de 32 anos foi subitamente interrompida este domingo, 14 de junho, num trágico acidente que envolveu duas aeronaves no Rio de Janeiro, deixando a sua vasta legião de fãs em choque com a notícia da sua morte prematura.
O violento desastre aéreo ocorreu ao início da manhã, pelas 9 horas locais — quando os relógios em Portugal Continental marcavam 11 horas —, na conhecida zona costeira do Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste da cidade carioca. Os dois helicópteros colidiram em pleno voo e despenharam-se a escassa distância um do outro. O impacto foi tão severo que um dos aparelhos se incendiou de imediato, desencadeando um incêndio de proporções alarmantes num parque de estacionamento adjacente, onde estavam estacionados dezenas de veículos elétricos.
As equipas de socorro e os bombeiros deslocaram-se rapidamente para o local do sinistro, deparando-se com um cenário complexo. Os destroços das aeronaves espalharam-se por uma área considerável, tendo alguns fragmentos atingido edifícios vizinhos. Infelizmente, não houve sobreviventes a bordo. O balanço final confirmou seis vítimas mortais: os dois pilotos e quatro passageiros, entre os quais se encontrava o intérprete de “Miss You”. As causas que levaram a esta colisão fatal continuam a ser investigadas de forma minuciosa.
Nascido na cidade costeira de Santa Cruz, na Califórnia, o criador norte-americano destacou-se nos últimos anos como uma das personalidades mais excêntricas e inovadoras da pop alternativa global. O seu percurso rumo ao estrelato começou a ganhar uma dimensão verdadeiramente internacional em 2017, altura em que o single “When I’m Down” conquistou as redes e se transformou num enorme fenómeno viral.
O fenómeno que conquistou a internet
Contudo, a consagração definitiva chegaria em 2021 com o lançamento do tema “Life Goes On”. A canção converteu-se num verdadeiro hino geracional na internet, acumulando centenas de milhões de audições no Spotify e servindo de banda sonora a uma quantidade incalculável de pequenos vídeos partilhados através dos ecrãs dos telemóveis em todo o planeta.
Para lá da música, Oliver Tree construiu uma personagem visual inconfundível que desafiava as convenções da indústria. O seu corte de cabelo geométrico, os vídeos musicais repletos de humor absurdo, o guarda-roupa bizarro e uma atitude deliberadamente desconcertante eram marcas registadas de um criador multifacetado. Ele próprio se assumia como realizador, produtor, argumentista e artista performativo, misturando elementos de rock alternativo, música eletrónica e comédia para erguer um universo estético absolutamente singular.
O regresso de Oliver Tree a Portugal no início de julho faria parte de uma ambiciosa digressão mundial destinada a apresentar o seu mais recente trabalho discográfico. O trágico acontecimento no Brasil põe fim de forma abrupta a uma das carreiras mais imprevisíveis da música contemporânea.


