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Home - Economia - “Quem quer investir e internacionalizar tem de olhar para o Brasil”

EconomiaInternacional

“Quem quer investir e internacionalizar tem de olhar para o Brasil”

Last updated: 6 de Março, 2026
Redação/Paivense
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Miguel Kramer Foto: divulgação
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Especialista em Relações Internacionais e com negócios em ambos os lados do Atlântico, Miguel Kramer analisou, em entrevista à Agência Incomparáveis, o presente e o futuro das relações comerciais entre Brasil e Portugal, sublinhando a importância de uma abordagem bilateral mais pragmática e de uma visão estratégica sobre o acordo entre a União Europeia e o Mercosul.

Para Kramer, a leitura das relações comerciais entre Brasil e Portugal deve ser feita, antes de mais, num plano bilateral, já que, na sua perspetiva, Portugal enfrenta hoje um dilema geoestratégico claro: “Ou continua excessivamente focado no centro da Europa, marcado por instabilidade e processos complexos, ou reforça o olhar para um parceiro histórico e natural, o Brasil”, destacou.

Este profissional lembra também que o Brasil já é, na prática, o principal e mais potente parceiro comercial dentro do universo do futuro acordo de livre-comércio. Por isso, sublinha que o essencial não é começar do zero, mas sim “intensificar relações já existentes, tirando partido das vantagens que o acordo poderá trazer para empresas e investidores”.

Questionado sobre os entraves que têm atrasado a conclusão do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, Miguel Kramer admite que existem resistências internas em determinados setores económicos.

“Esses entraves resultam muitas vezes do receio de perder zonas de conforto ou da dificuldade em compreender como a intensificação das relações com a América Latina pode beneficiar negócios europeus”, explicou.

Ainda assim, o advogado mostra-se confiante de que os obstáculos poderão ser ultrapassados, uma vez que, a seu ver, “a alternativa ao bloqueio passa por uma atitude mais criativa e proativa, capaz de identificar oportunidades concretas de crescimento económico e desenvolvimento mútuo no quadro do acordo”.

Do ponto de vista brasileiro, Miguel Kramer considera essencial que o empresário do Brasil encare Portugal não apenas como um mercado de entrada na Europa, mas como “um parceiro integrado no projeto empresarial”.

Neste sentido, o empresário defende que a “portugalidade” deve fazer parte dos investimentos brasileiros, com envolvimento da indústria e de agentes económicos portugueses, algo que considera particularmente relevante em áreas estratégicas como a defesa.

Já na perspetiva portuguesa, o Brasil não deve ser visto apenas como um destino de exportações. Falando da sua própria experiência empresarial desde 2014, Miguel Kramer afirma que “o Brasil é um país para estar, para criar raízes, estabelecer negócios e crescer de forma sustentada”.

Miguel Kramer conclui reiterando que o Brasil é um “mercado imensurável”, uma realidade que, segundo defende, exige visão de longo prazo, presença local e uma compreensão profunda da dimensão e do potencial do mercado brasileiro no contexto das relações económicas luso-brasileiras.

A entrevista insere-se no âmbito de mais uma edição do “Prémio Aproxima Portugal-Brasil”, uma iniciativa que sublinha e distingue o papel de personalidades e instituições que contribuem ativamente para o reforço da cooperação entre Portugal e o Brasil, em diversas áreas estratégicas. 

O prémio é promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, presidida por Otacílio Soares, e, nesta edição, decorreu no Tivoli Kopke Porto Gaia Hotel, na cidade do Porto, no norte de Portugal.

Ígor Lopes

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