As salas de aula e os jardins de infância em território nacional voltam a receber iniciativas direcionadas para a desmistificação do excesso de peso infantil. O regresso da campanha ocorre precisamente durante a semana em que se assinala o Dia Mundial de Combate ao Bullying, momento escolhido para intensificar o alerta contra a discriminação associada à morfologia corporal.
A iniciativa, promovida pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil, disponibiliza sessões presenciais de leitura e exemplares físicos da obra literária dedicada ao tema. O objetivo central passa por fomentar a empatia entre os mais novos e desconstruir preconceitos que persistem no quotidiano escolar.
Os dados estatísticos continuam a preocupar os especialistas, uma vez que a patologia crónica afeta mais de 30% da população infantil em Portugal. As piadas e comentários depreciativos sobre a imagem física mantêm-se como um dos principais motores de assédio e exclusão entre estudantes, tornando urgente a criação de dinâmicas que promovam a inclusão.
A persistência deste tipo de preconceito transvasa os muros das instituições de ensino e manifesta-se com frequência na esfera pública. Situações recentes, como o episódio protagonizado pelo antigo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa — que foi alvo de forte contestação pública após fazer um comentário sobre o peso de uma cidadã ao questionar se o mobiliário resistiria ao seu peso —, ilustram a forma como a gordofobia permanece normalizada no discurso comum.
A direção do projeto lembra que a erradicação da humilhação exige coerência adulta. Segundo os responsáveis, o combate à violência verbal e à discriminação baseada na massa corporal deve começar pelo exemplo dado às novas gerações, lembrando que a condição física nunca deve servir de pretexto para troças ou julgamentos.
O eixo central desta estratégia de sensibilização assenta no livro «Mamã, o que é a obesidade?», assinado por Mário Silva, presidente e fundador da entidade, em conjunto com as coautoras Catarina Beja e Marta Beja Coelho. A obra literária prepara o regresso às escolas para o período letivo de 2026/2027, depois de ter percorrido o país de norte a sul durante o ano anterior, alcançando milhares de crianças, docentes e agregados familiares.
A narrativa acompanha a personagem Mia, uma criança que leva para casa as dúvidas levantadas no estabelecimento de ensino. Através da história, os leitores compreendem que o excesso de peso não resulta de uma falha moral ou de uma opção pessoal, mas configura uma doença crónica que requer acompanhamento médico, compreensão e respeito.
Os estabelecimentos de ensino, bem como o corpo docente e os educadores interessados em integrar a iniciativa no plano pedagógico atual, podem solicitar os exemplares e o agendamento das atividades diretamente através dos meios de comunicação institucionais da organização, encontrando-se a publicação igualmente disponível para aquisição na página oficial da associação.
A obra literária conta com prefácio assinado pela jornalista Marta Ventura e validação científica assegurada por médicos pediatras e psicólogos ligados à Associação Europeia para o Estudo da Obesidade, constituindo uma ferramenta de apoio para profissionais da educação e da saúde.
Fundada em 2010, a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil atua como uma organização sem fins lucrativos focada na implementação de estratégias de literacia em saúde, intervenções no meio escolar e campanhas ativas para travar o estigma social associado à condição física dos mais jovens.


