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Estado paga salário a ex-diretora da Casa dos Rapazes

A ex-diretora da Casa dos Rapazes começou a ser julgada por maus-tratos esta quarta-feira. Manuela Costa nega agressões e diz que impôs “regras e limites”. Apesar de estar suspensa desde novembro, continua a receber o vencimento pago pela entidade, que é financiada pelo Estado.

Maria Manuela Costa, a diretora técnica da Casa dos Rapazes, de Viana do Castelo, começou a ser julgada esta quarta-feira por maus-tratos a jovens internados na instituição.

No entanto, apesar de estar suspensa de funções desde novembro do ano passado, a ex-diretora continua a receber o vencimento pago pela entidade, que é financiada pelo Estado, avança o Correio da Manhã.

No início do julgamento, no Tribunal de Viana do Castelo, Manuela Costa negou os crimes. A responsável afirmou que o que fez foi impor “regra, limites e rotinas“.

“Às vezes é necessário repreendê-los. É necessário segurá-los, exercer alguma contenção, mas nunca com a intenção de os magoar”, afirmou, referindo-se aos jovens como “agressivos, desafiantes” e que “questionam e se opõem às regras todas”.

A responsável foi ainda confrontada com casos concretos de agressões físicas, mas Manuela Costa, que exerceu o cargo durante dez anos, admitiu apenas ter dado “toques, mas nunca estaladas“.

O caso começou a ser investigado no ano passado com uma denúncia de duas educadoras da Casa dos Rapazes que foram esta quarta-feira criticadas pela arguida. “Este processo é doloroso e injusto. Estes colegas [os outros quatro arguidos] eram os funcionários mais assertivos, os que não tinham horas de entrar ou de sair”, começou por dizer.

“Os que fizeram as denúncias eram meros espetadores. Saíam sempre à hora”, disse, para depois classificar todo o processo como uma “guerra de adultos“. “Sempre me fez uma bocado de espécie as pessoas servirem-se da instituição. Há pessoas que usaram os miúdos para se servirem da situação.”

Antes de Manuela Costa foram ouvidos os outros quatro funcionários e arguidos que, segundo o Ministério Público, seguiam o modelo educativo definido pela antiga diretora. Todos negaram o uso de violência.

Os rapazes que foram sujeitos aos crimes de maus-tratos serão ouvidos na próxima sessão do julgamento. A audiência está marcada para o dia 15 de outubro.

Fonte: ZAP