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Milhares de mulheres com cancro da mama afinal não precisam de quimioterapia

Uma nova pesquisa concluiu que 70% das mulheres em estágio inicial de cancro de mama não precisam de quimioterapia. Um teste genético permite identificar quem pode ou não abrir prescindir de quimioterapia.

O maior estudo alguma vez realizado sobre tratamentos de cancro da mama concluiu que a maioria das mulheres com a forma mais comum da doença podia dispensar a quimioterapia sem afectar as suas hipóteses de vencer o cancro.

Os resultados esperam poupar milhares de doentes que todos os anos passam por esta provação. O estudo envolveu cancros em fase inicial, ou seja, que ainda pode ser tratado por terapia hormonal e que não se espalhou para os nódulos linfáticos, nem contém mutação no gene HER2, que faz com que o tumor cresça mais rapidamente.

A conclusão é de uma ampla pesquisa internacional que demonstrou que tratamento hormonal é tão eficiente quanto a quimioterapia para grande parte dos casos de tumores mamários que ainda não se espalharam pelo corpo, e que as mulheres afectadas têm a mesma probabilidade de sobrevivência com ou sem quimioterapia.

Os resultados do estudo, designado TAILORx, foram este domingo discutidos na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago, e apresentados num artigo publicado na revista New England Journal of Medicine.

Poderemos poupar centenas de milhares de mulheres a um tratamento tóxico e agressivo que, na realidade, não as beneficia”, disse ao New York Times a médica Ingrid A. Mayer, da Vanderbilt University Medical Center, autora do estudo.

Segundo a investigadora, um teste de 21 genes sobre amostras de tumores é capaz de identificar que mulheres podem dispensar a quimioterapia com segurança, após passar por cirurgia, e usar apenas drogas que bloqueiam a produção de estrogénio. O teste de 21 genes, chamado Oncotype Dx, existe desde 2004.

Atualmente, mulheres com uma baixo risco nestes testes são informadas de que não precisam de fazer quimioterapia. As que recebem nota alta, por terem tumores de tipo mais agressivo, necessitam de quimioterapia.

Mas a maioria das pacientes, que recebe resultados intermédios, é aconselhada por via das dúvidas a fazer o tratamento agressivo. Muitas vezes, a quimioterapia é combinada com o tratamento hormonal.

Segundo os resultados do estudo, a taxa de sobrevivência a nove anos é de 93,9% sem quimioterapia e de 93,8% com a quimioterapia – uma diferença de apenas 0,1%. O teste genético para identificar se o tratamento é necessário ou não é realizado em amostras de tumores de mama, recolhidas durante a cirurgia.

O cancro de mama é o mais letal entre as mulheres em todo o mundo, com 1,7 milhões de novos casos e mais de meio milhão de mortes por ano.

“Todos os dias, mulheres com este tipo de cancro de mama vêem-se confrontadas com o terrível dilema de decidir se vão ou não fazer o quimioterapia, sem ter dados suficientes e assertivos sobre resultados”, diz Rachel Rawson, da ONG Breast Cancer Care.

“Este estudo é transformador, e uma óptima notícia, já que poderá libertar milhares de mulheres da agonia da quimioterapia”, conclui Rawson.