Paris, França – O Ministério da Saúde francês confirmou esta semana a presença do vírus num paciente que procurou assistência médica logo após aterrar em território nacional. Tratava-se de um médico que integrava uma equipa humanitária na República Democrática do Congo, onde o atual surto de febre hemorrágica já vitimou 267 pessoas e conta com mais de um milhar de infetados. O homem foi imediatamente encaminhado para uma unidade hospitalar vocacionada para o tratamento de patologias infecciosas de alta perigosidade.
A logística de contenção começou ainda no ar. O profissional de saúde viajou no voo AF736, que assegurou a ligação entre Kinshasa e o aeroporto Charles de Gaulle. Assim que o alerta foi dado, a Air France entregou às autoridades a listagem completa dos passageiros que partilharam a cabine com o médico, permitindo o início do rastreio de contactos de risco. A rapidez da operação visa evitar qualquer possibilidade de propagação comunitária.
Este é o primeiro registo da estirpe Bundibugyo fora das fronteiras africanas, marcando um novo capítulo na epidemia que, desde o passado dia 15 de maio, castiga a República Democrática do Congo pela 17.ª vez, estendendo-se também ao Uganda. A gravidade do surto acentuou-se em junho, altura em que a Organização Mundial de Saúde admitiu que a taxa de transmissão estava a ganhar uma velocidade preocupante, apesar das medidas sanitárias reforçadas no terreno.
O cenário é de incerteza, sobretudo porque a estirpe em causa continua sem resposta vacinal ou tratamento farmacológico específico. No entanto, as autoridades europeias tentam evitar o pânico. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças insiste que, para o cidadão comum no espaço europeu, o perigo de contágio permanece num nível reduzido, mantendo-se a monitorização constante da situação clínica do doente agora isolado.


