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Novo Banco agrava prejuízos para 853 milhões (é mais do que os lucros de todos os grandes bancos nacionais)

José Sena Goulão / Lusa

António Ramalho, presidente do Novo Banco

O Novo Banco teve prejuízos de 853,1 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano, mais 49% do que no mesmo período do ano passado, segundo as contas divulgadas pela instituição. Um número negativo que anula a totalidade dos lucros dos restantes grandes bancos nacionais.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD), o Banco Comercial Português (BCP), o Santander e o Banco Português de Investimento (BPI) apresentaram lucros globais de 898 milhões de euros, conforme as contas do Expresso.

Mas se retirarmos os prejuízos de 57 milhões do Banco Montepio, sobram 841 milhões de euros de lucros.

Assim, os 853,1 milhões de euros de prejuízos do Novo Banco anulam esses lucros.

“Os resultados e actividade do Grupo Novo Banco, nos primeiros nove meses de 2020, foram condicionados pelos efeitos do contínuo processo de reestruturação, desinvestimento de activos legacy, descontinuação do negócio em Espanha, das provisões adicionais dos activos não produtivos (em especial, neste trimestre, para activos internacionais) e do impacto da pandemia covid-19“, aponta a instituição financeira no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

As imparidades relacionadas com riscos de crédito e títulos resultantes da pandemia representam 195,1 milhões de euros.

Também a operação do banco em Espanha contribui significativamente para as perdas. Facto que leva o Novo Banco a confirmar que está a vender a sua sucursal no país vizinho.

A venda do negócio aliada ao “agravamento do nível de incumprimento de alguns clientes (crédito a clientes, garantias e instituições de crédito), conduziram à constituição e imparidades e provisões no valor total de 455 milhões de euros“, refere o Novo Banco no mesmo comunicado.

O crédito malparado representa 9,7% da carteira total de crédito que é da ordem dos 25,9 mil milhões de euros, segundo atesta o Expresso.

Mas para lá destes prejuízos de 835 milhões relacionados com os activos tóxicos e com o chamado banco legacy, a operação corrente do Novo Banco também culminou em perdas relativamente ao período de análise anterior, com uma queda de 30%.

“Campeão da venda de activos problemáticos”

Enquanto isso, o Público atesta que o Novo Banco “é o campeão da venda de activos problemáticos”, notando que entre 2018 e 2019, amealhou 1300 milhões de euros com os chamados NPL — Non-Performing Loans, ou seja, activos de difícil recuperação.

Naqueles mesmos dois anos, o Novo Banco registou perdas de 700 milhões de euros com os NPL que acabaram por ser cobertas pelo Fundo de Resolução.

A instituição não assinala, para já, de quanto dinheiro vai precisar mais do Fundo de Resolução para manter um rácio de capital de 12% que o mecanismo de capitalização precisa de garantir até ao final do ano.

O valor inicial avançado no primeiro semestre era da ordem dos 176 milhões de euros. Contudo, o Orçamento de Estado para 2021 avança com a provável necessidade de uma verba de 476 milhões. Na prática, os números reais têm sido sempre superiores às previsões do Governo.

Note-se, contudo, que a próxima injecção de capital no Novo Banco não sairá directamente dos cofres do Estado para o Fundo de Resolução. O Governo anunciou que o Fundo deverá pedir um empréstimo aos bancos para esse efeito.


Fonte: ZAP