Lisboa, Portugal – O Escritaria, festival literário sediado em Penafiel, confirmou que Luís Cardoso será a figura central da sua 19.ª edição, agendada para decorrer entre 20 e 25 de outubro de 2026. A escolha do escritor timorense visa sublinhar a relevância da sua obra no panorama da literatura de língua portuguesa, consolidando o evento como um espaço de diálogo cultural.
A revelação pública do nome do autor acontece no dia 15 de julho, durante uma cerimónia oficial na Assembleia da República, marcada para as 15h00. Este momento protocolar terá a participação de figuras de relevo, incluindo o Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o Presidente da Câmara Municipal de Penafiel, Pedro Cepeda, e o próprio Luís Cardoso.
Um percurso entre a literatura e a luta pela independência
Nascido em Kailako, Timor-Leste, em 1958, o escritor estabeleceu-se em Portugal no ano de 1975, forçado pela ocupação indonésia do seu país natal. O seu trajeto pessoal confunde-se com a própria luta pela autodeterminação timorense, uma temática que, a par da memória, do exílio e da identidade nacional, define grande parte da sua produção literária.
A estreia na escrita ocorreu em 1997 com Crónica de Uma Travessia, uma obra reconhecida como um pilar da literatura contemporânea de Timor-Leste. Ao longo das últimas décadas, o autor publicou títulos de referência como Requiem para o Navegador Solitário, Para Onde Vão os Gatos Quando Morrem? e Plantador de Abóboras, sendo este último galardoado com o Prémio Oceanos em 2021. O seu mais recente trabalho, Hotel Timor, foi publicado em 2025.
O reconhecimento do seu contributo para a literatura e para a independência de Timor-Leste levou a que, em 2023, fosse distinguido pelo Presidente José Ramos-Horta com o Colar da Ordem de Timor-Leste.
Penafiel como ponto de encontro
Ao selecionar Luís Cardoso, o festival prossegue o seu objetivo de homenagear os vultos mais significativos da escrita em português. Durante a semana do evento, o concelho de Penafiel transforma-se num palco de partilha, envolvendo escolas, associações, leitores e espaços culturais numa dinâmica que pretende aproximar os autores da comunidade local.


