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Home - Economia - Subida do salário mínimo em xeque. Esquerda pressiona, patrões não querem ouvir falar do assunto

EconomiaPolítica

Subida do salário mínimo em xeque. Esquerda pressiona, patrões não querem ouvir falar do assunto

Last updated: 8 Agosto, 2020 11:00
Redação
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Mário Cruz / Lusa

O semanário Expresso escreve na sua edição deste sábado que a pandemia pode comprometer a subida do Salário Mínimo Nacional (SMN) prevista anteriormente, observando que enquanto a Esquerda puxa pela subida, as entidades patronais dizem não haver condições, não querendo discutir o assunto.

O aumento do SMN programado pelo Governo previa que este valor atingisse os 670 euros em 2021 e os 750 euros dois anos depois, em 2023.

No discurso de tomada de posse, em outubro de 2019, o primeiro-ministro, António Costa, destacou a necessidade de se valorizar o SMN. “O salário mínimo nacional evoluirá em cada ano, [mas o Governo tem] o objetivo de atingir os 750 euros em 2023”.

O primeiro-ministro sublinhou, contudo, que a “dinâmica do emprego e do crescimento económico” seriam fatores importantes para determinar as subidas.

Esta tendência, escreve o Expresso este sábado, está ameaçada pela pandemia de covid-19, que veio abalar fortemente a economia portuguesa.

Apesar da situação que vivemos, a Esquerda não desiste da luta: BE, PCP e PAN querem ver o assunto, que normalmente é debatido no fim de cada ano civil, a ser discutido nas negociações que serão levadas a cabo ainda este mês.

Bloquistas e comunistas defendem que o aumento deve continuar, apesar da crise.

“É o básico”, disse Jorge Costa, deputado Bloco de Esquerda, ao mesmo jornal, recordando que este foi um compromisso assumido pelo primeiro-ministro.

“O aumento do salário mínimo é uma das explicações mais relevantes para o crescimento e criação de emprego”, disse o bloquista, notando que, apesar da crise, as “empresas estão mais apoiadas”, acrescentando: “O problema da nossa economia é a fraca procura interna e a vulnerabilidade do trabalho. Se respondemos comprimindo ainda mais o salário, não estamos a resolver problema nenhum”.

No PCP, o discurso é semelhante: “É conhecida a exigência do PCP de valorização geral dos salários e do SMN, que, como é público, deveria ter sido fixado em €850 em 2020”.

Também o PAN, pela voz da deputada Bebiana Cunha, rejeita a austeridade e pede ao Governo que não deixe de olhar “para o objetivo de longo prazo”. A deputada diz que as questões laborais serão “incontornáveis” nas conversas com o Governo.

“Nem quero ouvir falar nisso”

Já os patrões, posicionam-se do outro lado da barricada, dizendo que a atual situação económica não permite concretizar os aumentos do SMN programados anteriormente.

Ao Expresso, Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo, um dos setores mais afetados pela pandemia, foi perentório: “Nem quero ouvir falar nisso“.

Também António Saraiva, líder da Confederação da Indústria, diz que o assunto não foi abordado e que não sabe se se colocará face à crise que vivemos.

“Não foi uma questão que se tenha levantado (…) Com a crise que vamos viver, não sei se o tema se irá colocar”, acrescenta Saraiva, sublinhando que “importa atender à realidade duríssima que estamos a viver” e olhar para os números “preocupantes” do aumento do desemprego, da queda do PIB e do encerramento de empresas.

Até os próprios sindicados parecem não insistir em abordar o assunto.

A CGTP reclama por “um aumento generalizado dos salá­rios”, mas espera pela rentrée para divulgar o seu plano de “caderno reivindicativo”. Da parte da UGT, é Sérgio Monte quem assume que “não é o momento” para a questão.

No Executivo socialista, o assunto ainda não foi debatido. “Ainda é cedo”, de acordo com o Governo. Contudo, caberá a António Costa decidir se se posiciona ao lado dos patrões, deixando cair os aumentos programados, ou da Esquerda, com quem quer um acordo saudável e duradouro para a legislatura.


Fonte: ZAP

TAGGED:BEDestaqueEconomiaempregoGovernoNacionalPANPCPpolítica
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