As salas de espera dos centros de saúde da região têm estado a encher com crianças e bebés a apresentar febre alta, tosse intensa, conjuntivite e diarreia. Vários pais que recorreram aos serviços de saúde nas últimas semanas relatam que o número de crianças doentes em simultâneo é superior ao habitual, e que o adenovírus tem sido apontado pelos profissionais de saúde como o agente responsável pela maioria dos casos.
“Nunca vi assim tantas crianças doentes ao mesmo tempo”, descreveu uma mãe que levou o filho de dois anos à urgência pediátrica. O relato é partilhado por outros pais da região, que descrevem filas longas e um padrão de sintomas semelhante entre as crianças afectadas.
O que é o adenovírus
O adenovírus é um vírus de ADN de dupla cadeia do qual existem mais de 50 serotipos diferentes, divididos em seis subgrupos. É um agente infeccioso muito comum em todo o mundo e a maioria das pessoas é afectada por ele em algum momento da vida. A infecção pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais frequente em crianças pequenas.
As vias aéreas superiores são o local onde a infecção é mais frequente. As manifestações clínicas podem incluir sintomas de uma constipação, faringite, amigdalite ou otite média. Em crianças muito pequenas pode ser mais grave.
Como se transmite
Os adenovírus podem disseminar-se por meio do contacto com as secreções de uma pessoa infectada ou pelo contacto com um objecto contaminado. A infecção pode ser transmitida pelo ar ou pela água, como ao nadar em lagos ou piscinas sem cloração adequada.
O vírus sobrevive durante horas em superfícies. Uma criança doente que toque num brinquedo pode transmiti-lo à seguinte que o pegar. Em infantários e escolas, a propagação é rápida precisamente porque o convívio próximo e as mãos nas superfícies são constantes.
Os sintomas
Os sintomas geralmente aparecem entre dois a catorze dias após a exposição ao vírus e podem durar de alguns dias a várias semanas. Os mais comuns em crianças são febre que pode ser alta, tosse seca ou produtiva, dores de garganta, conjuntivite com olhos vermelhos e com secreção, diarreia e vómitos, congestão nasal, dores musculares e cansaço acentuado.
Os tipos 3 e 7 do adenovírus causam uma síndrome característica de conjuntivite, faringite e febre. Nos bebés, a febre alta e a recusa em mamar ou comer são frequentemente os primeiros sinais.
O que fazer em casa
O tratamento é de suporte. Não existe medicamento antiviral disponível para uso geral contra o adenovírus. O objectivo é aliviar os sintomas e evitar complicações, em especial a desidratação.
Ofereça líquidos com frequência, água, soro de reidratação oral disponível em farmácias, leite materno no caso dos bebés. Mantenha a criança em repouso. Pode administrar paracetamol na dose adequada ao peso para controlar a febre e aliviar o desconforto. Não administre ibuprofeno a bebés com menos de seis meses sem indicação médica. Ventile os espaços onde a criança está. Lave as mãos antes e depois de cuidar da criança. Não envie a criança para o infantário ou escola enquanto tiver sintomas.
Quando ligar para o SNS 24
O número do SNS 24 é o 808 24 24 24, disponível todos os dias, vinte e quatro horas. Deve ligar quando a febre não cede com antipirético, quando a criança recusa completamente líquidos durante mais de seis horas, quando apresenta sinais de desidratação como choro sem lágrimas, boca seca, olhos encovados ou menos fraldas molhadas, quando a tosse provoca dificuldade em respirar ou quando o estado geral da criança piora de forma clara ao longo do dia.
Quando ir directamente ao centro de saúde ou urgência
Deve ir directamente ao centro de saúde ou urgência pediátrica quando a criança tem menos de três meses e apresenta febre acima de 38 graus, quando há dificuldade respiratória visível com respiração rápida ou ruidosa, quando a criança está muito prostrada ou não reage normalmente, quando surgem manchas na pele que não desaparecem com a pressão do dedo, quando há convulsões ou quando os sintomas pioram após aparente melhoria.
Em crianças muito pequenas e em adultos imunocomprometidos podem ocorrer ocasionalmente situações mais graves como infecção disseminada, pneumonia grave, meningite e encefalite. Nesses casos, a avaliação médica não deve ser adiada.
Como proteger os outros
Mantenha a criança doente em casa. Lave as mãos com frequência, em especial após trocar fraldas, assoar o nariz da criança ou tocar em superfícies partilhadas. Não partilhe copos, talheres ou toalhas. Desinfecte brinquedos e superfícies. Não leve a criança ao infantário ou à escola enquanto tiver sintomas de infecção como febre, diarreia, tosse ou conjuntivite, para evitar o contágio a outras crianças.
Não existe vacina disponível para uso civil contra o adenovírus. A prevenção assenta inteiramente na higiene e no isolamento dos casos.


