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EconomiaTurismo

Chamadas telefónicas, cocktails e after parties. Autarquias pagaram milhões nas eleições das 7 Maravilhas de Portugal

Last updated: 18 Novembro, 2020 13:05
Redação
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7 Maravilhas / Facebook

Eleição das “7 Maravilhas da Cultura Popular” – Bailinho da Madeira, Colete Encarnado, Criptojudaismo de Belmonte, Festas em Honra de Nossa Senhora dos Remédios, Os Santeiros de S. Mamede do Coronado, Romaria de S. Bartolomeu e Romaria de São João D’Arga.

A eleição das “7 Maravilhas de Portugal”, um projecto a que a RTP1 tem dado visibilidade, com a realização de várias galas, renderam à empresa que criou a ideia milhões de euros em dinheiros públicos. Autarquias e outras entidades públicas fizeram ajustes directos da ordem dos 3,7 milhões à empresa de eventos.

As contas são feitas pelo Observador que analisou os contratos públicos publicados no portal BASE no âmbito da realização dos eventos relacionados com a eleição das “7 Maravilhas de Portugal”. A iniciativa já levou à escolha de monumentos, aldeias, praias e pratos gastronómicos nas mais diversas categorias.

A RTP1 tem transmitido vários programas relacionadas com a eleição, mas a iniciativa resultou de uma empresa que registou a marca 7 Maravilhas e que, portanto, tem “exclusividade para Portugal e outros países”, como aponta fonte da marca ao Observador.

A publicação refere que a empresa de Luís Segadães “já recebeu em ajustes diretos mais de 3 milhões e 699 mil euros de entidades públicas”. Um valor que reporta a apenas 62 contratos, de acordo com a publicação.

Está em causa uma autêntica “máquina bem oleada”, com a autarquia a definir o valor do ajuste directo pretendido e a 7 Maravilhas, bem como empresas de organização de eventos associadas, a tratarem do resto, nomeadamente da promoção das candidaturas das autarquias. Mas os gastos envolvem desde o catering a geradores, passando por publicidade e até chamadas telefónicas.

Um dos exemplos reportado pelo Observador e que foi denunciado pelo Bloco de Esquerda da Trofa, respeita a um ajuste directo de 75 mil euros feito pela autarquia desta localidade para o pagamento das chamadas de valor acrescentado, efectuadas para o número 760 207 810, para apoiar a eleição dos santeiros de S. Mamede do Coronado.

Mas as despesas abrangem ainda serviços como um “cocktail dînattoire e after party”, no âmbito de uma gala realizada nos Açores. Neste caso, a Associação Turismo dos Açores pagou mais de 154 mil euros à empresa GRASS – Produção e Consultoria Artística cerca de 76 mil euros e à Associação Açoriana de Formação Turística e Hoteleira para garantir o serviço.

No total, a Associação Turismo dos Açores gastou, em 2010, cerca de 1,8 milhões de euros com as “7 Maravilhas Naturais de Portugal”. A gala final realizou-se em Ponta Delgada, com a vitória da Floresta Laurissilva, da Região Autónoma da Madeira.

As “7 Maravilhas da Gastronomia” custaram ao Turismo de Lisboa e Vale do Tejo mais de 487 mil euros para “a organização, promoção e gestão da realização do evento” em Santarém, como reporta ainda o Observador.

No âmbito das “7 Maravilhas Praias de Portugal”, o Turismo do Alentejo pagou mais de 772 mil euros à empresa EIPWU, do universo de Luís Segadães, para a realização da gala final em Tróia.

Albufeira gastou mais de 201 mil euros com a gala final das “7 Maravilhas à Mesa”, enquanto que os municípios de Reguengos de Monsaraz, Batalha, Viseu, Alijó, Odemira, Tomar e Lagoa despenderam, no total, mais de 460 mil euros nas galas das semifinais, ainda segundo os números do Observador.

Nas Câmaras Municipais, estes gastos públicos são vistos como um investimento, uma vez que alegam que a visibilidade obtida com o concurso garante receitas em termos turísticos. Mas não há dados concretos que confirmem o grau desse ganho em comparação com os gastos efectuados.

No caso da 7 Maravilhas, só a mera inscrição de candidaturas garante desde logo receitas. Pelo menos desde 2017, a inscrição nos eventos depende do pagamento de uma “taxa administrativa no valor de 140 euros + IVA (23%) por 1 candidatura singular e de 280 euros + IVA (23%) por uma candidatura múltipla (que inclui a opção de 2 a 7 patrimónios)”, conforme está estipulado nos regulamentos.

Em 2019, “só com as candidaturas a empresa de Segadães arrecadou, no mínimo, mais de 36 mil euros“, aponta o Observador.


Fonte: ZAP

TAGGED:Administração PúblicaDestaqueEconomiaNacionalTelevisãoTurismo
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