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Uma tarefa doméstica está a poluir sorrateiramente o ambiente


O que vestimos e como lavamos as nossas roupas influencia o número de microfibras sintéticas que libertamos no meio ambiente.

Há uma tarefa doméstica a poluir sorrateiramente o ambiente. Um novo artigo científico, publicado na PLOS One, indica que uma grande quantidade de microfibras é libertada no meio ambiente quando lavamos a nossa roupa.

Cerca de 14% de todo o plástico produzido é usado para fazer fibras sintéticas, principalmente para indumentária. Quando as roupas são lavadas, soltam pequenos fios, muito mais finos do que um fio de cabelo humano.

De acordo com o Inverse, a equipa da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, analisou o volume de microfibras sintéticas libertadas pela lavagem da roupa entre 1950 e 2016 e descobriu que quantidades semelhantes de plástico entram no solo e em seres vivos marinhos todos os anos: cerca de 5,6 megatoneladas, sendo que metade do total foi libertada só na última década.

À medida que o acesso ao tratamento de águas residuais aumenta em todo o mundo, as quantidade de microfibras que chegam à terra, especialmente às plantações, podem vir a aumentar.

Jenna Gavigan, investigadora da universidade norte-americana, disse que o objetivo da pesquisa era “criar uma estimativa básica das emissões de microfibras para que possamos compreender a escala do problema em todo o mundo”.

Resolver um problema tão global como a poluição do plástico deverá envolver mudanças para além do comportamento individual. Ainda assim, qualquer pessoa que tenha uma máquina de lavar em casa pode fazer algo para reduzir a quantidade de plástico que entra no ambiente.

A etapa mais prática de todas passa por reduzir o número de vezes que se lava a roupa. Os cientistas também aconselham a compra de roupas de alta qualidade; o uso de um saco de retenção de microfibras para evitar que estas poluam o ambiente e o desenvolvimento de um melhor tratamento de resíduos.

“Apesar de serem necessárias mais pesquisas sobre as interações entre as microfibras e o meio ambiente, especialmente em ecossistemas terrestres, isso não nos deve impedir de implementar medidas de mitigação no imediato”, rematam os cientistas.