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Ao contrário do que diz o Exército, ainda há explosivos de Tancos desaparecidos

Paulo Cunha / Lusa

Guarita abandonada no complexo militar de Tancos

O material que foi furtado do quartel de Tancos, Santarém, em 2017, ainda não foi todo recuperado, noticia este sábado o semanário Expresso, que refere que ao contrário do que tinha sido veiculado pelo Exército, ainda há granadas e explosivos por devolver.

Segundo revela o Expresso, para poder manter sob escuta seis suspeitos do assalto a Tancos, os procuradores encarregados do caso revelaram que, ao contrário do que tinha sido veiculado pelo Exército e pelo Ministério da Defesa, ainda há granadas e explosivos que não foram devolvidos.

De acordo com o semanário, os procuradores do Ministério Público salientam, num recurso apresentado para poder manter suspeitos sob escuta, que o material desaparecido inclui 1.450 munições de 9 mm, 30 cargas de explosivos, três granadas ofensivas, duas granadas de gás lacrimogéneo e um disparador de descompressão.

O jornal salienta que o Ministério Público considera que “a segurança nacional está em perigo enquanto os assaltantes não forem capturados”.

O furto de material militar dos Paióis Nacionais de Tancos, instalação entretanto desativada, foi detetado a 28 de junho, por um sargento e um praça ao serviço do Regimento de Engenharia 1, durante uma ronda móvel. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e grande quantidade de munições.

A 18 de outubro passado, a Polícia Judiciária Militar recuperou, na zona da Chamusca, quase todo o material militar que tinha sido furtado da base de Tancos no final de junho, à exceção das munições de 9 milímetros.

Contudo, entre o material encontrado, num campo aberto na Chamusca, num local a 21 quilómetros da base de Tancos, havia uma caixa com cem explosivos pequenos, de 200 gramas, que não constava da relação inicial do que tinha sido roubado.

Presidente quer “esclarecimento cabal”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reafirmou este sábado “a exigência de esclarecimento cabal” do ocorrido com o desaparecimento de armamento em Tancos, há um ano, e manifestou “preocupação”.

Numa nota publicada esta noite na página oficial da Presidência da República, , Marcelo Rebelo de Sousa diz que reafirma essa exigência de esclarecimento “de modo ainda mais incisivo e preocupado”.

Marcelo Rebelo de Sousa, que por inerência é o Chefe Supremo das Forças Armadas, diz na nota ter a certeza “de que nenhuma questão envolvendo a conduta de entidades policiais encarregadas da investigação criminal, sob a direção do Ministério Público, poderá prejudicar o conhecimento, pelos portugueses, dos resultados dessa investigação”.

Que o mesmo é dizer o apuramento dos factos e a eventual decorrente responsabilização”, conclui o Presidente da República.

A 1 de março passado, o Presidente da República defendeu uma investigação “mais longe e a fundo” aos casos que envolveram as Forças Armadas nos últimos tempos, como o do desaparecimento de armamento do paiol de Tancos.

O alerta foi deixado por Marcelo Rebelo de Sousa na cerimónia de posse do novo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMFA), almirante António Silva Ribeiro, no Palácio de Belém, em Lisboa, e em que falou nos desafios e dificuldades da instituição nos últimos anos.

Fonte: ZAP