Castelo de Paiva assinalou esta quarta-feira, 4 de março de 2026, os 25 anos da queda da Ponte Hintze Ribeiro, numa cerimónia de homenagem às 59 vítimas da tragédia ocorrida em 2001. A evocação ficou marcada pela inauguração de um memorial no átrio dos Paços do Concelho e contou com a presença do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.
Memória de uma noite que marcou o concelho
O presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva, Ricardo Cardoso, recordou a noite de 4 de março de 2001 como um momento que mudou para sempre a história do concelho.
“O silêncio do Douro tornou-se num grito coletivo que ecoou por todo o país. Essa noite marcou-nos enquanto comunidade. Marcou famílias para sempre. Marcou gerações”, afirmou o autarca.
Para Ricardo Cardoso, recordar esta data é um ato de respeito que vai além da memória da tragédia, representando também a responsabilidade de garantir que um desastre semelhante nunca mais se repita.
Infraestruturas como questão de justiça territorial
Durante a cerimónia, o autarca destacou que a concretização de infraestruturas prometidas há décadas é essencial para o desenvolvimento da região. Entre as prioridades apontadas estão a variante até Canedo e a conclusão do IC35.
Segundo o presidente da autarquia, estas obras representam mais do que novas ligações rodoviárias.
“Estas infraestruturas não são apenas estradas. São instrumentos de coesão territorial, são fatores de desenvolvimento económico”, afirmou.
Ricardo Cardoso acrescentou que, passados 25 anos, a população espera finalmente ver transformadas em realidade promessas feitas após a tragédia.
Reconhecimento às famílias e à associação de vítimas
O presidente da câmara deixou também uma palavra de reconhecimento à Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios, destacando o papel da organização ao longo das últimas décadas.
“Mostraram uma enorme dignidade. Souberam transformar a dor em solidariedade, as lágrimas em compromisso e o sofrimento em serviço ao próximo”, referiu.
Às famílias das vítimas, deixou uma mensagem de solidariedade e respeito em nome da autarquia.
Governo promete cumprir compromissos
Na cerimónia, o ministro Miguel Pinto Luz reconheceu o impacto nacional do desastre e admitiu que o Estado falhou no passado.
“O Estado não pode voltar a falhar, como vos falhou há 25 anos”, afirmou o governante, classificando a queda da ponte como “um dos maiores desastres alguma vez ocorridos em Portugal”.
Concurso para obras de 90 milhões de euros
Durante a sessão foi também anunciado que o concurso para a construção da variante até Canedo e para a ligação do IC35 deverá ser lançado ainda este ano, num investimento estimado em cerca de 90 milhões de euros.
O ministro garantiu que acompanhará pessoalmente o processo.
“Não descansarei enquanto não vir as máquinas no terreno”, afirmou.
Segundo Miguel Pinto Luz, concretizar estas obras é também uma forma de honrar a memória das vítimas e garantir que tragédias semelhantes nunca mais voltem a acontecer em Portugal.


