A definição de uma nova resposta coordenada para o setor da saúde no interior norte do país deu um passo decisivo a 23 de outubro de 2026. A Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa promoveu um encontro de trabalho que reuniu os vereadores com competências na área da saúde dos 11 municípios que integram a CIM, além do município de Paredes. A mesa de trabalho contou igualmente com a presença de dirigentes máximos da Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, num esforço conjunto para alinhar instrumentos de planeamento e antecipar necessidades das populações locais.
A coordenação dos trabalhos esteve a cargo de Telmo Pinto, primeiro secretário executivo da CIM do Tâmega e Sousa. A vertente hospitalar e de cuidados de saúde primários esteve representada por José Luís Gaspar Jorge, presidente do conselho de administração da ULS do Tâmega e Sousa, acompanhado pelo vogal executivo Paulo Pereira. Pela CCDR NORTE marcaram presença os vice-presidentes do conselho diretivo Jorge Salgueiro Mendes e Pedro Machado, sublinhando a relevância institucional atribuída ao planeamento estratégico territorial.
Um dos momentos centrais da sessão consistiu na apresentação, por parte da ULS do Tâmega e Sousa, do ponto de situação relativo ao diagnóstico qualitativo integrado no futuro Plano Local de Saúde. Os dados preliminares deste levantamento apontam já para áreas críticas de intervenção, destacando-se vertentes como a saúde mental, a parentalidade e a prevalência de comportamentos aditivos no território. A ULS do Tâmega e Sousa encontra-se posicionada para ser a primeira entidade do género em território nacional a concluir o respetivo Plano Local de Saúde, o que permitirá antecipar a adoção de medidas operacionais no terreno.
Esta calendarização antecipada assume um papel estratégico na preparação do próximo quadro comunitário de apoio. Ao identificar com precisão geográfica e demográfica os setores que exigem maior injeção de verbas, a região ganha capacidade para orientar a aplicação de fundos europeus diretamente para as carências sentidas pelas comunidades locais, evitando a dispersão de recursos financeiros.
A reunião serviu ainda para inventariar o ponto de situação das Estratégias Municipais de Saúde em vigor em cada concelho, bem como o ritmo de constituição dos respetivos Conselhos Municipais de Saúde. Os participantes debateram os mecanismos necessários para cruzar estes dados locais com o Plano Local de Saúde da ULS e com a futura Estratégia Supramunicipal de Saúde do Tâmega e Sousa, garantindo que os diferentes níveis de decisão não funcionam em silos estanques.
Como resposta a este desafio de articulação, a CIM do Tâmega e Sousa apresentou uma proposta metodológica voltada para a construção concertada da Estratégia Supramunicipal de Saúde. O plano desenhado prevê a constituição imediata de um grupo técnico intermunicipal, integrado por quadros técnicos dos municípios e da própria comunidade intermunicipal. Este grupo será submetido a um processo intensivo de capacitação e formação-ação.
A iniciativa pretende dotar as autarquias de ferramentas técnicas para redigir ou atualizar as suas estratégias locais, assegurando em simultâneo a convergência para prioridades comuns à escala supramunicipal. Todo este ecossistema de planeamento será acompanhado de perto pelo Grupo de Trabalho Planeamento em Saúde da Plataforma Supraconcelhia do Tâmega e Sousa. Cabe a este órgão assumir a ponte entre as diferentes fases do processo, desde a implementação prática até à monitorização contínua e avaliação dos resultados obtidos.
Com a concretização desta iniciativa, a CIM do Tâmega e Sousa procura consolidar um modelo de governação em rede. A aproximação entre o poder local autárquico, a tutela regional de desenvolvimento e a administração sanitária visa otimizar os recursos públicos disponíveis, superando a fragmentação institucional e garantindo que as políticas públicas de saúde respondem de forma eficaz às especificidades demográficas e sociais da região.


