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Ciência

Cientistas descobriram a cor mais antiga do mundo: rosa choque

Last updated: 11 Julho, 2018 16:07
Redação
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Uma equipa de cientistas descobriu aquela que dizem ser a cor mais antiga do mundo: rosa choque.

Segundo o The Guardian, os pigmentos foram descobertos depois de os investigadores terem destruído rochas com 1100 milhões de anos encontradas num depósito marinho de xisto no deserto do Saara, na bacia de Taoudeni na Mauritânia, no oeste de África.

“É claro que podem dizer que tudo tem alguma cor”, disse o líder da investigação e professor da Universidade Nacional da Austrália, Jochen Brocks. “O que encontrámos é a cor biológica mais antiga”.

Brocks comparou a descoberta com um osso de Tiranossauro. “Também teria uma cor, seria cinza ou castanho, mas não diria nada sobre o tipo de cor da pele que o T rex tinha”.

“Se encontrássemos agora a pele fossilizada preservada de um T rex, de modo a que ainda tivesse a cor original deste dinossauro, ou seja, azul ou verde, seria incrível. Em princípio, foi o que descobrimos agora, só que ainda dez vezes mais antigo do que o típico T rex”.

“E as moléculas que encontrámos não pertenciam a uma criatura grande, mas sim a organismos microscópicos, porque os animais não existiam naquela época. Essa é a coisa incrível no meio disto tudo”, explica o investigador.

As cores foram descobertas por uma estudante de doutoramento, Nur Gueneli, que esmagou as pedras até ficarem em pó, extraindo e analisando depois as moléculas de organismos antigos da substância.

A investigadora afirma que os pigmentos encontrados são mais de 1500 milhões de anos mais antigos do que as descobertas anteriores. “Os pigmentos rosa choque são os fósseis moleculares da clorofila que foram produzidos por antigos organismos fotossintéticos que habitavam um oceano antigo que há muito desapareceu”, explica a investigadora em comunicado.

Os investigadores Amber Jarrett e Jochen Brocks

De acordo com o jornal britânico, a investigação foi apoiada pela Geoscience Australia, conduzida pela Universidade Nacional da Austrália (ANU) e realizada por cientistas dos EUA e do Japão. As rochas foram enviadas para a universidade por uma empresa petrolífera que procurava petróleo debaixo das rochas e da areia do deserto do Saara há cerca de dez anos, conta Brocks.

“Eles perfuraram um buraco com centenas de metros de profundidade e atingiram um xisto profundo, preto e oleoso”, disse. “Acabou por ter 1100 milhões de anos, o que é absolutamente incrível“.

Brocks acrescenta que a descoberta “não é apenas “apenas incrível por haver coisas tão antigas cor-de-rosa”, mas também porque ajuda a resolver um “grande enigma da vida” – porque é que criaturas grandes e complexas apareceram tão tarde na história da Terra.

Enquanto a Terra tem cerca de 4600 milhões de anos, as criaturas parecidas com animais e outras coisas maiores, como as algas marinhas, surgiram há apenas 600 milhões de anos. Quando os investigadores analisaram a estrutura da molécula rosa, foram capazes de descobrir o que os havia produzido – cianobactérias minúsculas.

“Estavam no fundo da cadeia alimentar”, explica. “No oceano moderno, temos algas no fundo da cadeia alimentar. As algas microscópicas ainda são muito pequenas mas também são mil vezes maiores do que as cianobactérias”.

“Precisamos destas partículas maiores como fonte de alimento para as criaturas maiores evoluírem. Olhando para as nossas moléculas, fica claro… não havia fonte de alimento para criaturas maiores. Isto resolve uma questão muito antiga”.

TAGGED:ciênciaCiência & SaúdeDestaquePaleontologia
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