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Cientistas medem temperatura a 4 mil borboletas (e revelam a influência do clima no seu habitat)

Michael Wallace / Flickr

Um grupo de cientistas do Reino Unido recolheu 4 mil borboletas selvagens para medir a sua temperaturas, alertando que algumas das espécies mais reconhecidas do país estão em ameaça de colapso, e em risco de perder o seu habitat.

Os cientistas da Universidade de Cambridge registaram a temperatura de 29 espécies diferentes de borboletas, antes de as libertarem novamente. A equipa garante que desta forma são “capazes de analisar melhor os habitats, e as paisagens para protegê-las”.

Todas as borboletas são ectotérmicas – o que significa que não podem produzir o seu próprio calor corporal, e dependem das condições ambientais externas ideais para sobreviver. Contudo, o estudo – publicado no dia 23 de setembro no Journal of Animal Ecology –  revelou que as mudanças no clima e outros fatores ambientais afetam algumas espécies de borboletas mais do que outras.

Os cientistas descobriram que borboletas maiores e mais pálidas, como as espécies Large White e Brimstone, estão entre as espécies de insetos que se adaptam melhor ao aumento da temperatura ambiental. Isso ocorre porque os animais usam as suas grandes asas para direcionar o calor do sol para longe ou, caso necessitem, para os seus corpos.

Porém, algumas espécies mais coloridas têm maior dificuldade em controlar a sua temperatura corporal, tal como as espécies menores – como é o caso da borboleta Small Heath, diz o The Independent.

No geral, as populações de muitas espécies de borboletas do Reino Unido estão em declínio. Isto deve-se à perda do seu habitat natural, pois o aquecimento global tem causada eventos climáticos que prejudicam os microclimas vitais que as borboletas necessitam para sobreviver.

Andrew Bladon, autor principal do estudo, refere que “as espécies de borboletas que não são boas a controlar a sua temperatura, mas que dependem da escolha de um micro-habitat que tenha a temperatura certa, são as que mais sofrem com as mudanças climáticas”.

O investigador assume que é urgente “tornar os habitats mais diversificados para ajudar a conservar muitas de nossas espécies de borboletas”. Os cientistas garantem que as borboletas são uma parte vital do mundo natural, que sustenta a nossa própria espécie, por isso explicam que é importante “proteger uma gama diversificada de espécies. Os insetos também são uma importante fonte de alimento para muitas outras espécies”.

Ed Turner, do University Museum of Zoology, disse que “será importante compreender não só os requisitos do habitat de diferentes espécies de borboletas, mas também os seus requisitos de temperatura”.

Muitas espécies de borboletas expandiram-se para o norte do Reino Unido nos últimos 30 anos, à medida que esta região se tornou mais quente devido às alterações climáticas. A variedade de espécies adaptadas a ambientes mais frios está a diminuir.