O mercado da habitação apresentou uma evolução desigual no primeiro semestre de 2026. Enquanto o número de projetos licenciados recuou, o número de novos fogos autorizados pelas autarquias aumentou, acompanhado por uma subida do crédito à habitação e pela valorização dos imóveis.
De acordo com os dados da AICCOPN, o consumo de cimento atingiu 2,084 milhões de toneladas até junho, mais 5,9% do que no mesmo período de 2025. O indicador, associado à atividade da construção, manteve assim uma trajetória positiva durante os primeiros seis meses do ano.
No licenciamento habitacional, foram contabilizados 9.836 projetos de construção e reabilitação até junho. O número representa uma redução homóloga de 6,9%. Apesar desta quebra, a quantidade de novos alojamentos licenciados evoluiu em sentido contrário.
Ao todo, foram licenciados 22.216 fogos em construções novas, mais 4% do que no período homólogo. Ou seja, apesar de existirem menos projetos licenciados, os processos que avançaram contemplaram um número superior de habitações.
O financiamento acompanha esta dinâmica. Nos primeiros seis meses do ano, o novo crédito à habitação, excluindo operações de renegociação, atingiu 12.153 milhões de euros, traduzindo um crescimento de 11,3% face ao mesmo período de 2025.
Também os valores das avaliações bancárias continuaram a subir. Em junho, o valor mediano da habitação aumentou 16,6% em termos homólogos. Os apartamentos registaram uma valorização de 18,3%, enquanto nas moradias o crescimento foi de 15,2%.
Norte destaca-se no licenciamento de novas habitações
Na Região Norte, os indicadores assumem uma expressão particularmente relevante. Nos 12 meses terminados em junho, foram licenciados 20.403 fogos em construções novas, mais 17% do que os 17.401 alojamentos registados no período homólogo.
Entre os fogos licenciados na região, 26% correspondem a tipologias T0 ou T1, 31% a T2, 37% a T3 e 6% a T4 ou superiores.
Os dados disponíveis até 16 de agosto mostram, assim, um mercado habitacional marcado por tendências distintas: menos projetos licenciados, mas mais fogos novos, maior volume de financiamento e uma valorização expressiva dos imóveis.


