O Município de Terras de Bouro foi distinguido com o “Prémio Abadesa Mariana”, atribuído pela associação galega Codeseda Viva, pelo seu contributo para a preservação do troço da antiga via romana que integra o Caminho de Santiago da Geira e dos Arrieiros, que começa na Sé de Braga.
O prémio foi atribuído “pela excelência da câmara municipal na gestão e conservação do troço da Via Nova, entre as milhas XIV e XXXIV”, explica a organização, adiantando que “se destaca pelo seu magnífico estado de conservação, sinalética renovada e o cuidar constante deste património histórico”.
A distinção foi recebida pelo vereador com o pelouro do Turismo na Câmara de Terras de Bouro, António Manuel da Cunha, numa sessão — no sábado, dia 18, na Sala Abanca, em A Estrada —, em que foi defendida a preservação da autenticidade do Caminho da Geira e dos Arrieiros.
No debate, em que participaram o presidente honorário da Academia Xacobea, Xesús Palmou; o historiador Luís Ferro e o presidente da Federação Galega de Associações de Amigos do Caminho de Santiago, Javier Gómez, entre outras personalidades, foi defendida “a importância de evitar a massificação do Caminho da Geira e dos Arrieiros para preservar a essência da hospitalidade”, numa altura em que apresenta um crescimento homólogo de 145% na atribuição de Compostelas.
Os participantes, entre eles também a presidente da Associação Espaço Jacobeus de Portugal, Eulalia Fonseca, e o escritor Luís Ferreira, destacaram ainda que uma das principais características do Caminho da Geira e dos Arrieiros “é o vínculo autêntico que se cria entre as populações e os peregrinos, criando relações que até estão a motivar muitos reencontros posteriores”.
Este itinerário jacobeu justificou a atribuição de 757 Compostelas em 2025 e os participantes no debate consideram que o número ideal de peregrinos deve “rondar os dois mil por ano”, para manter a sua sustentabilidade nos diferentes aspetos.
Para ajudar a compreender este espírito que envolve o Caminho da Geira e dos Arrieiros, as pessoas presentes na cerimónia ouviram o relato de Álvaro Lazaga, um peregrino experiente em rotas ibéricas, que já percorreu por três vezes o itinerário que começa em Braga.
Na iniciativa, organizada pela sétima vez pela Associação Codeseda Viva, presidida por Carlos da Barreira, sob o tema “valorizar o património e a hospitalidade ligada às rotas de peregrinação”, foram entregues outros dois prémios. Xulia Puente, de Santiago de Tabeirós, na Galiza, foi “reconhecida pelo seu trabalho altruísta na manutenção e embelezamento do Caminho”, dedicando-se há anos “a decorar a envolvente da capela da Consolação com flores e elementos artesanais, como pedras e conchas de vieira pintadas à mão”.
O terceiro premiado da sessão, presidida pelo autarca de A Estrada, Gonzalo Louzao, foi a Associação Cultural Virxe da Grela, “pela recuperação da histórica Procissão da Grela, uma tradição ligada ao santuário de Guadalupe, recuperada em 2016 e que se mantém viva”.
Nos últimos nove anos, estima-se que o Caminho da Geira e dos Arrieiros foi percorrido por mais de 7.785 peregrinos, de 5.748 dos quais existe prova fotográfica, e pediram a Compostela 3.176 pessoas, segundo as associações que promovem o itinerário.
Entre eles contam-se pelo menos 50 proveniências, sobretudo de Portugal, Espanha e do resto da Europa, mas também do Japão, México, Azerbaijão, China, Porto Rico, Taiwan, Afeganistão, Bahamas, Palestina, Uruguai, Canadá, Nova Zelândia ou Sri Lanka.
O Caminho da Geira tem 239 quilómetros, começa na Sé de Braga e passa pelos municípios de Amares, Terras de Bouro e Melgaço, entrando na Galiza pela Portela do Homem.
Foi apresentado em 2017, em Ribadavia (Galiza) e Braga, reconhecido pela Igreja em 2019, e em publicações da associação de municípios transfronteiriços Eixo Atlântico (2020) e do Turismo do Porto e Norte de Portugal (2021).
O percurso destaca-se por incluir patrimónios únicos no mundo: a Geira, a via do género mais bem conservada do antigo Império Romano Ocidental, e a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés. Além disso, o seu traçado é um dos poucos que ligam diretamente à Catedral de Santiago de Compostela.


