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Trabalhar em casa pode ser bom para a saúde pública, mas mau para o ambiente

Um novo relatório sugere que o teletrabalho – medida adotada por muitos países como forma de tentar reduzir os contactos no contexto de pandemia – pode ser prejudicial para o ambiente.

O relatório da Energy and Climate Intelligence Unit (ECIU) afirma que, embora as emissões de carbono tenham sido menores ao longo deste ano devido ao facto das pessoas viajarem menos, há uma nova medida, consequente do combate à pandemia de covid-19, que pode ser boa para a saúde pública, mas má para o ambiente.

Estar em teletrabalho pode ser mais prejudicial do que ir trabalhar de transportes, sobretudo se for no inverno. É que em casa espera-se que as pessoas precisem de ligar as caldeiras a gás para fornecer aquecimento e água quente.

Jess Ralston, autora da análise para a ECIU, explica que “trabalhar em casa e aumentar o uso do gás pode ser crítico para a poluição do ar e também para as mudanças climáticas. A maneira como aquecemos as nossas casas precisa de mudar se queremos chegar ao objetivos propostos para 2050”.

Em muitos países do mundo, as casas são predominantemente aquecidas pela queima de gás natural, que liberta óxido nitroso juntamente com dióxido de carbono. No caso do Reino Unido, existem 21 milhões de caldeiras a gás em todo o país e, atualmente, menos de 5% das casas são aquecidas por fontes de baixo carbono.

O aquecimento é responsável por quase 37% das emissões totais de carbono do Reino Unido. A pesquisa da ECIU sugere um aumento de 56% no uso da caldeira neste inverno, resultando num aumento de 12% nas emissões. A ECIU estima que isso seja o suficiente para compensar o progresso dos últimos dois anos na redução das emissões.

Ralston afirma que o “aumento da poluição proveniente das caldeiras a gás esperado neste inverno fornece uma ilustração gráfica do seu papel, que tem sido esquecido na poluição do ar”.

Neste sentido, o Governo britânico deve publicar uma Estratégia para evitar o carbono em edifícios em novembro, que deve apresentar detalhes sobre os planos para tentar mudar as casas para fontes de calor mais migas do ambiente, revela o Sky News.