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Veneno de tarântula pode ser benéfico no tratamento de dores viscerais

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Uma equipa de investigadores australianos identificou dois peptídeos do veneno da tarântula, que podem ajudar a aliviar dores em órgãos do sistema digestivo.

Há algum tempo que os cientistas investigam a funcionalidade do veneno em doenças, tendo mesmo sido identificada uma proteína analgésica no veneno da aranha-pássaro chinês que pode ser muito útil no tratamento de várias doenças. O veneno pode ajudar em tratamentos de doenças como o cancro da pele, derrame cerebral e artrite.

Segundo o New Atlas, agora, a equipa identificou novas moléculas numa espécie de aranha diferente, que podem ter como alvo a dor visceral – que afeta os órgãos internos, e muitas vezes é desencadeada por distúrbios gastro-intestinais e da bexiga. O estudo foi publicado na revista Pain a 17 de agosto.

Stuart Brierley, autor do estudo, diz que “os órgãos internos têm uma rede complexa de nervos sensoriais com uma ampla gama de canais iónicos e recetores dependentes de voltagem para detetar estímulos”, acrescentando que  “a hipersensibilidade desses nervos na doença muitas vezes contribui para o desenvolvimento da dor”.

Assim, a equipa começou a investigar quais os peptídeos que poderiam ajudar a tratar a dor visceral, bloqueando os canais relacionados. Idealmente, o veneno usado para efetuar o bloqueio da dor não deveria afetar outros canais, como é o caso do coração.

Depois de examinar 28 espécies de aranhas, a equipa encontrou um candidata particularmente promissora: a tarântula Pinkfoot Goliath. Encontrada na Venezuela e no Brasil, esta é uma das maiores aranhas do mundo, uma vez que mede de cerca de 30 cm.

Os investigadores encontraram dois peptídeos – o Tap1a e Tap2a –  que foram muito eficazes na inibição dos canais iónicos associados à dor. Em testes com ratos, a equipa descobriu que Tap1a era particularmente potente, reduzindo quase toda a dor visceral crónica.

O tratamento aplicado a humanos pode ainda estar longe. Ainda assim, é um bom ponto de partida para os cientistas, que podem começar a aprender mais sobre biologia e o uso do veneno no tratamento de doenças.

Para já, os investigadores têm “um entendimento forte da estrutura, e da função desses peptídeos do veneno de aranha”, garante Richard Lewis, autor principal do estudo.